segunda-feira, 31 de março de 2014

Cooperativismo

Empresas evitam falência com cooperativismo
Empresas evitam falência com cooperativismo
Empresas de Itapetininga próximas da falência, com dívidas e grandes dificuldades financeiras, conseguiram sobreviver com a união dos trabalhadores. Hoje, elas mantêm a produção ou oferecem serviços, garantindo trabalho e renda para centenas de pessoas no País. O cooperativismo foi solução encontrada para superar os obstáculos, que se transformaram em histórias de sucesso. 

Além de contribuir para a manutenção do trabalho de aproximadamente 30 professores, a criação da Cooperativa de Professores de São Sebastião da Grama (Coopgram) permitiu que os 150 alunos terminassem o ano letivo. "A escola estava cheia de dívidas e assumimos há sete anos para não fechar as portas", relata Evaldo Natal Buffo, presidente da cooperativa. 

Hoje, a Coopgram conta com 250 alunos e está instalada em um outro prédio na pequena cidade de 10 mil habitantes. As dívidas foram liquidadas e os professores estão no comando da escola. "Se não fosse a opção pelo cooperativismo não teríamos mais a escola e os professores estariam desempregados", afirma Evaldo. 

Oportunidade 

A Cooperativa Educacional de Itapetininga (CEI) nasceu em abril de 2009 depois de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O ex-proprietário da escola utilizava o sistema cooperativista de forma irregular. Os professores reivindicaram as mudanças e com o TAC passaram finalmente a constituir uma cooperativa regular. "Deu um novo ânimo para todos, mas por outro lado aumentou a nossa responsabilidade", afirma Plínio Teodoro, responsável pela administração da CEI. Segundo ele, hoje a escola conta com 115 alunos e 22 cooperados. 

Orientação 

O Sescoop-SP oferece toda a orientação aos grupos interessados na constituição de uma cooperativa. Paulo G. Lins Vieira, coordenador jurídico da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo e da Sescoop-SP, explica que o Programa de Orientação para Constituição de Cooperativa oferece palestras e cursos. Para a formação de uma cooperativa, é necessário que as pessoas estejam conscientes do que pretendem. Vieira ressalta que são organizações democráticas. Seus membros, participam ativamente na formulação de suas políticas e na tomada de decisões. 

Fonte: DCI - SP em 31/03/2014

Cooperativismo

A segunda onda do Cooperativismo, por Roberto Rodrigues
A segunda onda do Cooperativismo, por Roberto Rodrigues
Por Roberto Rodrigues 

O cooperativismo como doutrina, com seus valores básicos, princípios, uma ética básica, todo um conjunto dogmático de regras que compõem a doutrina, na verdade, só floresce em cooperativas dentro de três condições básicas. Primeiro, é preciso que haja uma necessidade, porque é um movimento de base. Então, a base deve sentir a necessidade e esta surge sempre de pressões externas que atrapalham alguma comunidade. 

Segundo, ela precisa ter viabilidade econômica. A cooperativa não tem a menor condição de ser uma “sociedade de poetas mortos”, não é uma brincadeira romântica, é uma empresa atuante. Então, tem de ter viabilidade econômica. 

E terceiro, precisa haver liderança, porque sem liderança, nada funciona bem. 

Na verdade, as cooperativas surgiram pós-Revolução Industrial, porque ela gerou dois movimentos simultâneos: exclusão social e concentração da renda. Daí cresceu o que eu chamo de primeira onda da história cooperativista, em 1844, na Inglaterra. Nasceu e esparramou-se pelo mundo inteiro, transformando-se no maior movimento social da história universal, abrangendo, atualmente, 1 bilhão de filados no mundo inteiro. Se considerarmos que cada pessoa representa 3 familiares, isto significa um total de 3 bilhões de pessoas, ou 40% da humanidade. 

Essa primeira onda, na qual o cooperativismo foi tratado como a Terceira Via entre o capitalismo e o socialismo, para promover o desenvolvimento econômico social, durou até a queda do muro de Berlim. Quando o muro caiu, o socialismo sofreu um desmaio profundo, do qual ainda não se recuperou, e o capitalismo se desmembrou, seguindo mais o liberalismo do que o modelo capitalista comercial. 

Então, por um período de dez a quinze anos, o cooperativismo perdeu um pouco o seu sentido porque, de certa forma, todos os efeitos perversos do modelo da Revolução Industrial esvaíram-se no tempo. Isto até que os efeitos da economia globalizada passaram a ter resultados muito similares a uma Revolução Industrial. Voltaram os problemas, e com ele, de novo, a concentração e a exclusão. Isto produziu o que estou denominando de segunda onda da história cooperativista, ou seja, um recrudescimento do movimento, só que com outras responsabilidades. Durante um século e meio, o cooperativismo foi uma doutrina socioeconômica que visava corrigir o social por meio do econômico. Esta é a definição clássica de cooperativismo. Portanto, preocupada com as questões sociais e econômicas. Com o surgimento da economia globalizada, somada ao liberalismo comercial, os problemas de exclusão e de concentração aumentaram a tal ponto que a democracia e a paz no mundo ficaram ameaçadas. 

Hoje, estou convencido de que os governos centrais são cada dia mais incapazes de resolver os problemas comuns das pessoas comuns, como nós. O cidadão comum preocupa-se com o desemprego, a sustentabilidade da atividade produtiva, o acesso à educação, saúde, habitação, aposentadoria, lazer, às coisas do dia-a-dia. E os governos não resolvem mais isso. A decisão de investir para gerar emprego, ou não, é do capital, sem preocupações com ética, filosofia, religião, ideologia, nada. O capital só se preocupa com a própria acumulação. Mas, como os excluídos não sabem disso, nem percebem isso, culpam o governo. Então, cada eleição, em qualquer lugar do mundo, é um plebiscito contra o governo. Então, as oposições ganham, não porque sejam necessariamente melhores, mas porque o governo, por questões estruturais, não consegue resolver os problemas das pessoas. 

Qual é o risco? É um problema a oposição ganhar? Não. Faz parte da lógica democrática. O problema é que a oposição ganha e também não consegue resolver. Então, o conceito de democracia vai sendo erodido. A Argentina é um exemplo, e lá há pessoas falando em voltar ao regime militar. 

Então, a solução está na ação das bases comunitárias. E é por esta razão que o cooperativismo ressurge. Não mais como um rio fluindo entre as duas margens – capitalismo e socialismo, cada um de um lado. Mas uma ponte juntando as margens – de um lado, o mercado, e na outra margem, o bem-estar das comunidades, a felicidade das pessoas. O cooperativismo é essa ponte; é a defesa da democracia e da paz, na medida em que ele combate a exclusão e a concentração. 

O cooperativismo passa a ter, no Terceiro Milênio, na segunda onda da sua história, uma função que transcende a tradicional função social e econômica, para ganhar uma nova dimensão de caráter político, que é a defesa da democracia, o combate aos efeitos negativos da dubiedade econômica do liberalismo, tal como no século XIX combateu os efeitos negativos da Revolução Industrial. 

Essa é a consistência nova do cooperativismo. Razão pela qual se diz que há um renascimento do movimento cooperativo fortemente impulsionado por governos de países desenvolvidos. Por quê? Em primeiro lugar, porque a consciência solidária, nesses países, é mais consistente. Viveram momentos na História nos quais a solidariedade se transformou numa necessidade. 

E o que diferencia um país desenvolvido de um país não desenvolvido é o grau de organização da sociedade. No Brasil, nós sempre ficamos esperando que o “papai governo” resolva nossos problemas e, por isto, ficamos à margem do processo. 

Roberto Rodrigues – constante na obra “O Cooperativismo de Crédito no Brasil do século XX ao século XXI – edição comemorativa“, organizado por Diva Benevides Pinho e Valdecir Manoel Affonso Palhares. Confebras, 2004.

Notícias

Seca afeta pastagens e antecipa alta do leite

Confirmando as expectativas de analistas e do mercado, o preço médio do leite pago ao produtor nacional em março subiu, reflexo da menor captação da matéria-prima em decorrência da seca em regiões produtoras. De acordo com levantamento da Scot Consultoria, o preço médio pago ao produtor brasileiro este mês - pelo leite entregue em fevereiro - teve alta de 2,2%, para R$ 0,956 po litro.
O levantamento mostra que houve valorização nas principais bacias leiteiras do Brasil entre os meses de fevereiro e março. Nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, a alta ao produtor foi de 2,9%; em Goiás, de 4%, e no Rio Grande do Sul, de 2,5%.
"A antecipação da firmeza do mercado se consolidou", observou Rafael Ribeiro, analista da Scot Consultoria. A valorização dos preços do leite no mercado spot (envolve a comercialização de leite entre os laticínios) em fevereiro já indicava uma antecipação do período de alta dos preços da matéria-prima.
A razão para o aumento é a queda na produção de leite, confirmada em outro indicador. Segundo o índice de captação de leite da Scot, a captação de matéria-prima em fevereiro caiu 3,7% em relação a janeiro - dado parcial, do mês passado, apontava uma queda menor, de 2,6%. Para março, dados preliminares indicam novo recuo em relação a fevereiro, de 2,2%, de acordo com o analista.
Segundo Ribeiro, historicamente, o pico da safra de leite ocorre em janeiro, mas no período atual, isso ocorreu em dezembro passado. Depois, a produção de leite começou a diminuir. "A produção começou a cair mais cedo", observou.
A antecipação da entressafra do leite é decorrência da seca que afetou as pastagens em importantes bacias leiteiras do Brasil entre janeiro e fevereiro, prejudicando a produção das vacas. Também contribui para a firmeza do mercado a melhora nas vendas de lácteos, acrescentou.
A menor oferta de matéria-prima está levando a uma concorrência entre os laticínios por matéria-prima, o que pode ser verificado pelo comportamento dos preços do leite no spot, segundo a Scot. Em março, o preço no spot paulista ficou em R$ 1,235 por litro, em média, acima dos R$ 1,055 de fevereiro. Em Minas, passou de R$ 1,019 por litro em fevereiro para R$ 1,30 em março, e em Goiás, de R$ 0,998 por litro para R$ 1,246.
Também há elevação nos preços do leite longa vida no atacado e no varejo paulistas, mostra o levantamento. A cotação no atacado saiu de R$ 2,04 o litro em fevereiro para R$ 2,17 em março, e no varejo, de R$ 2,59 o litro para R$ 2,62, na mesma comparação.
Na avaliação de Rafael Ribeiro, o mercado de leite deve ficar firme no curto e médio prazos. Pesquisa da consultoria com cerca de 180 laticínios mostra que a maior parte deles espera alta no próximo pagamento ao produtor de leite, em abril. Segundo o analista, 69% acreditam em alta, 27% em estabilidade e 4% em queda nos preços.
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Notícias

Commodities Agrícolas

Nova alta em NY 
O mercado do açúcar operou na maior parte da sessão de sexta-feira em queda em Nova York, pressionado por um movimento de realização de lucros após a forte alta de quinta-feira. Porém, ao fim do dia houve uma recuperação e os contratos para entrega em julho fecharam cotados a 18,27 centavos de dólar por libra-peso, em leve alta de 6 pontos. No dia anterior, os preços dispararam após a divulgação da criação de uma joint venture entre a Cargill e a Copersucar. As cotações se mantêm sustentadas também com a continuidade da seca no Centro-Sul do Brasil. A previsão meteorológica para a região é de mais tempo seco nesta semana. No mercado interno, o indicador de preço do açúcar cristal Cepea/Esalq para São Paulo teve elevação de 0,29% para R$ 51,95 a saca.
Clima sustenta 
Os preços do café arábica registraram fortes ganhos na sessão de sexta-feira, embora os fundamentos não tenham se alterado. Os papéis do grão com vencimento em julho subiram 430 pontos e fecharam a sessão na bolsa de Nova York negociados a US$ 1,826 por libra-peso. As preocupações com a quebra de safra no Brasil em 2014/15 e 2015/16 têm oferecido sustentação aos preços, embora eles tenham oscilado com menos volatilidade na semana passada, comparando com as sessões desde o início do mês. As previsões climáticas indicam que a seca deve continuar nas regiões produtoras do país, o que deve prolongar o estresse hídrico dos pés de café. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos do arábica subiu 0,46%, para R$ 399,40.
À espera do USDA 
As cotações do algodão registraram na sexta-feira a segunda valorização expressiva seguida na bolsa de Nova York. Os contratos para julho fecharam cotados a 93,61 centavos de dólar por libra-peso, alta de 124 pontos. O mercado da pluma operou na semana passada em meio às especulações sobre os dados que serão divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O órgão oficial, que tem status de ministério, divulga hoje o volume de commodities em estoque no país até 1º de março e a estimativa de área plantada para cada produto na safra 2014/15. Já o mercado doméstico operou na contramão. O algodão caiu pela nona vez seguida e, na sexta-feira, recuou 0,47%, negociado a R$ 2,1588 por libra-peso, segundo o indicador Cepea/Esalq.
Chuva à vista 
Se a seca nas principais regiões de cultivo de trigo nos Estados Unidos vinham impulsionando as cotações do grão, a divulgação de boletins com previsão de chuva para algumas áreas aliviou a tensão dos investidores e forçou um recuo nos preços da commodity nas bolsas americanas na sexta-feira. Na bolsa de Chicago, os contratos do trigo para entrega em julho recuaram na sexta-feira em 15,25 centavos e fecharam a US$ 6,9925 por bushel. Desde o início do ano, o preço do grão acumula alta de 15%. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes para julho fecharam em US$ 7,6375 por bushel, recuo de 20,25 centavos. No mercado gaúcho, o preço médio do cereal subiu 0,91%, negociado por R$ 655,03 a tonelada, segundo levantamento do Cepea/Esalq.
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Notícias

Após três anos de perdas, produção se recupera no oeste baiano

Poucas horas após a chuva encharcar o solo do oeste baiano, na última quinta-feira, produtores rurais da região celebravam, ao som de tambores japoneses e de música gaúcha, a recuperação da safra agrícola da região depois de três anos seguidos de perdas. A retomada do crescimento é puxada pelo algodão, que segundo dirigentes do setor vai ter uma safra 2013/14 "excelente". Para o milho, o ano será "muito bom" e para a soja, principal cultura da região, "apenas razoável".
Passado o período mais crítico para a produção local, ocasionado pela seca, os agricultores voltam a se concentrar nos problemas de sempre. Armazenamento, pragas e transporte seguem corroendo as margens de lucro. Membros da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) estão pagando do próprio bolso a manutenção de rodovias estaduais que atendem a região e brigam pela liberação do uso do benzoato de emamectina, defensivo que promete controlar com maior eficiência a Helicoverpa armigera, lagarta que causou muitos prejuízos na última safra.
Os produtores do oeste baiano conseguiram importar 70 toneladas de benzoato de emamectina, mas o produto não pode ser utilizado. A maior parte da carga, 44 toneladas, está armazenada, sub judice, em um galpão no município de Luís Eduardo Magalhães, um dos mais importantes da região. Outra parte do defensivo ficou no porto de Santos. "Hoje, infelizmente, não há perspectiva para a liberação do produto. Para a atual safra, nem está sendo considerado", afirmou ao Valor o vice-presidente da Aiba, Odacil Ranzi.
De acordo com ele, experiências feitas na Austrália atestam a eficiência do benzoato no combate à helicoverpa, cujos estragos surpreenderam os agricultores do oeste baiano na safra passada, a 2012/13. Com a proibição, explica Ranzi, são necessárias até duas vezes mais aplicações dos defensivos atualmente permitidos, o que no ano passado representou um custo adicional de cerca de R$ 600 milhões para os produtores locais. Somadas as perdas resultantes da ação da lagarta, o rombo passa de R$ 1 bilhão, segundo a entidade.
O presidente da Aiba, Julio Busato, esteve em Brasília recentemente para discutir a questão, mas saiu sem respostas. Dúvidas sobre o impacto do uso do defensivo sobre o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores emperram a liberação do benzoato nas lavouras baianas desde maio de 2013. O imbróglio está parado na primeira instância da Justiça estadual em Barreiras, outro importante município da região oeste.
Se, por um lado, a volta das chuvas ajudou a melhorar a produtividade, por outro agrava o problema do escoamento da produção. A situação precária tanto das estradas vicinais que atendem as fazendas como das rodovias estaduais que passam pela região vem obrigando os produtores a investir recursos próprios na recuperação das vias.
Atendida pela BA-225, a região conhecida como Coaceiral, que fica na cidade de Formosa do Rio Preto, tem 165 mil hectares de área plantada. O frete para lá, no entanto, custa cerca de 30% mais que a média da região, por conta das condições da rodovia. Diante disso, os produtores organizaram um mutirão para cobrir de cascalho um trecho de 60 km da estrada. "A situação é tal que usamos uma patrola [máquina niveladora] em uma via asfaltada; acho que é inédito", ironiza o diretor-executivo da Aiba, Ivanir Maia.
Os produtores também estão bancando a recuperação da BA-462 e de várias estradas vicinais. A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) possui hoje todo o maquinário de uma autêntica construtora de rodovias. Um projeto de parceria público privada está sendo preparado para o asfaltamento de pelo menos três estradas da região. Pelo modelo, ainda em análise de viabilidade, o governo baiano entraria com 50% do investimento, as prefeituras com 25% e os produtores com os 25% restantes.
Enquanto isso, a região olha desconfiada para a problemática Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), projeto inscrito no Programa de Aceleração do Crescimento e que promete levar os grãos e o minério do interior para o litoral da Bahia ao custo aproximado de R$ 5 bilhões. No entanto, uma série de questionamentos ambientais trava a estrada de ferro, cujas obras andam a passos lentos. "Não contamos com isso ao menos para os próximos quatro anos", admite Ranzi, da Aiba.
Descontados os contratempos, a expectativa é que a safra de soja do oeste atinja 3,4 milhões de toneladas na safra 2013/14, alta de 44% em relação ao ano anterior. A produtividade vai saltar de 35 para 44 sacas por hectare, ainda abaixo do recorde atingindo pela região na safra 2010/11, de 56 sacas por hectare. No atual patamar, explica Ranzi, a produção da oleaginosa - que ocupará 1,3 milhão de hectares - vai empatar com os custos de produção, ou seja, sem margem de ganho.
O melhor desempenho é esperado para o algodão, cuja produtividade deve retornar aos níveis recordes de 270 arrobas por hectare. Caso as chuvas continuem caindo na região, como prevê a meteorologia, o crescimento da produtividade em relação à safra passada será de 18%. Após um período de desânimo dos produtores, sobretudo por conta dos preços do produto, a área plantada também vem se recuperando. Na atual safra, atingiu 305 mil hectares.
A produtividade do milho avançou 11,5%, devendo chegar a 145 sacas por hectare na safra 2013/14. A área plantada avançou 6,5%, para 265 mil hectares. Diante das perspectivas mais animadoras, os produtores da região esperam ver resultados mais vistosos na 10ª edição da Bahia Farm Show, terceira maior feira agrícola do país, marcada para o final de maio, em Luís Eduardo Magalhães. A expectativa dos organizadores é de que seja atingida a marca de R$ 1 bilhão em negócios fechados na feira, quase 40% a mais do que no ano passado.
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Seminário Interestadual de Convivência com o Semiárido sintetiza propostas para a região

O último dia do Seminário Interestadual de Convivência com o Semiárido foi marcado pela síntese das proposições acumuladas durante os dois dias de evento, que vão compor a política nacional de convivência com a região.
Na última sexta-feira (28), na Fundação Luís Eduardo Magalhães (FLEM), a ação foi concentrada nos grupos de trabalho com os temas Acesso a Terra e Infraestrutura Social, Inclusão Socioprodutiva, Universalização do Acesso a Água, Educação, Gestão da Política de Convivência com o Semiárido, Clima e meio-ambiente.
O Seminário é uma iniciativa do Governo Federal, através do Ministério da Integração, e conta com a participação dos estados do Espírito Santo, Sergipe, Minas Gerais e Bahia. Participaram do evento agricultores familiares e representantes da sociedade civil e de diversos setores atuantes na região semiárida.
Protagonismo
Luiz Henrique d´Utra, coordenador de Articulação e Monitoramento da secretaria estadual da Casa Civil e responsável pela elaboração do seminário, disse que o evento superou as expectativas.
“A qualidade, tanto das apresentações quanto das construções coletivas, mostram que a Bahia, dada a dimensão da sua área no semiárido, tem um papel importante no protagonismo da construção de uma política nacional de convivência com a região”, avaliou.
Esforço conjunto - Ele ainda destacou que “o seminário é fruto de um esforço conjunto, de diversas secretarias de estado, que colaboraram com a criação de uma metodologia, garantindo o sucesso do que foi produzido”.
Para o coordenador institucional do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Cicero Félix, este é um momento histórico. “O governo da Bahia está de parabéns, por ampliar esse desafio que é pensar em políticas de convivência com o semiárido. Nós, que vivemos na região, estamos muito felizes de participar desse projeto", disse.
José Mauro Couto, assessor do Ministério da Integração, destacou a contribuição popular no seminário. “Percebi um diferencial do governo baiano, que é o fazer política junto com a sociedade civil. Certamente colhemos bons frutos que, no futuro, farão o semiárido brasileiro cada vez melhor".
Integração
Segundo Edison Ribeiro, superintendente de Política de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), a palavra de ordem deste trabalho é integração. "O seminário atendeu mais do que as expectativas. As contribuições, mais ainda. É a integração de pessoas que fazem histórias de luta no semiárido. O mais importante foi a sociedade perceber que pode contribuir com seus conhecimentos e cultura”, declarou.
O trabalho seguirá com a realização do Seminário Nacional de Convivência com o Semiárido que acontece na cidade de Fortaleza, no Ceará. O evento está marcado para os dias 28 e 29 de abril deste ano.
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quinta-feira, 13 de março de 2014

Notícias

Conab confirma corte em projeção para soja
 
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou as expectativas e efetuou um profundo corte em sua estimativa para a produção brasileira de soja nesta safra 2013/14, que está em fase adiantada de colheita. A correção teve reflexos igualmente consideráveis na projeção para o volume total de grãos que será colhido, mas, mesmo assim, o país ainda caminha para um novo recorde.
 
Em levantamento divulgado ontem, a autarquia vinculada ao Ministério da Agricultura passou a estimar a produção de soja, carro-chefe do agronegócio no Brasil, em 85,443 milhões de toneladas, 5,1% menos que o projetado em fevereiro (90,014 milhões) e em linha com as mais recentes estimativas privadas que circulam no mercado. Em relação ao ciclo 2012/13, ainda há um incremento de 4,8%. Mesmo mais baixo, o volume, se confirmado, será o maior da história - mas não será suficiente para garantir ao Brasil a liderança global na produção de soja, que tende a continuar nas mãos dos EUA.
 
O ajuste para baixo reflete sobretudo os problemas causados pelo déficit hídrico na região Sul, notadamente no Paraná e no Rio Grande do Sul, segundo e terceiro maiores Estados produtores da oleaginosa. Por conta da seca do início do ano, a projeção para a colheita paranaense recuou 12,3% na comparação com a estimativa de fevereiro, para 14,681 milhões de toneladas - 7,7% menos que no ciclo 2012/13. Já a produção gaúcha sofreu um corte de 6% em relação a fevereiro, para 12,314 milhões de toneladas, queda de 1,8% sobre a temporada passada.
 
Em Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, as chuvas do fim de fevereiro até agora não fizeram a Conab reduzir sua projeção para a colheita, como acreditavam os agricultores do Estado. Pelo contrário. No levantamento divulgado ontem, a autarquia elevou o volume, que será recorde para 26,357 milhões de toneladas, 122 mil a mais que o previsto em fevereiro e 12% mais ao de 2012/13.
 
Especialmente em função da queda da estimativa para a soja, a Conab passou a prever a colheita total de grãos no país em 188,701 milhões de toneladas em 2013/14, 2,5% menos que o previsto em fevereiro, mas ainda 0,7% acima da temporada passada. Para os técnicos da Conab, o risco de a colheita total não ser mais recorde é pequeno, uma vez que a pesquisa de campo que gerou o levantamento divulgado ontem foi realizada no auge das intempéries no Sul e em Mato Grosso. De acordo com o IBGE, a produção total ainda chegará 190,3 milhões de toneladas.
 
Outro corte que colaborou para a queda no volume total foi feito no quadro do trigo, cuja colheita já terminou. Em razão de adversidades no Rio Grande do sul, a Conab passou a estimá-la em 5,527 milhões de toneladas, 4,7% menos que em fevereiro. Sobre 2012/13, contudo, o incremento é de 26,2%.
 
No tabuleiro do arroz, a Conab elevou sua previsão para a colheita em 2013/14 para 12,770 milhões de toneladas, 8% maior que em 2012/13; no do feijão, reduziu a estimativa para 3,385 milhões de toneladas, ainda 19,5% superior ao volume do ciclo passado.
 
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