segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Notícias

Governo publica lei que regulamenta as cotas nas universidades federais

Metade das vagas será destinada a quem estudou na rede pública.
Lei prevê vagas para proporção de negros pardos e indígenas no estado.

O governo federal publicou nesta segunda-feira (15), no "Diário Oficial da União", o decreto que regulamenta a lei que garante a reserva de 50% das vagas nas universidades federais, em um prazo progressivo de até quatro anos, para estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas. O critério de seleção será feito de acordo com o resultado dos estudantes no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). O decreto é assinado pela presidente Dilma Rousseff.
 
As universidades e institutos federais terão quatro anos para implantar progressivamente o percentual de reserva de vagas estabelecido pela lei, mesmo que já estejam adotando algum tipo de sistema de cotas na seleção. Atualmente, não existe cota social em 27 das 59 universidades federais. Além disso, apenas 25 delas possuem reserva de vagas ou sistema de bonificação para estudantes negros, pardos e indígenas. De acordo com a lei, 12,5% das vagas de cada curso e turno já deverão ser reservadas aos cotistas nos processos seletivos para ingressantes em 2013. Universidades terão 30 dias para adaptarem seus editais ao que diz a lei.
 
A lei afirma que as instituições federais vinculadas ao Ministério da Educação (MEC) que ofertam vagas de educação superior reservarão, em cada concurso seletivo para ingresso nos cursos de graduação, por curso e turno, no mínimo 50% de suas vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, inclusive em cursos de educação profissional técnica.
 
Não poderão concorrer às vagas estudantes que tenham, em algum momento, cursado em escolas particulares parte do ensino médio.
 
Metade das vagas oferecidas será de ampla concorrência. Já a outra metade será reservada por critério de cor, rede de ensino e renda familiar (até um salário-mínimo e meio por pessoa da família).
 
Em relação às cotas raciais, a regulamentação prevê que a proporção de vagas deverá ser no mínimo igual à soma da porcentagem de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da federação do local de oferta de vagas da instituição, segundo o último Censo Demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que será reservada, por curso e turno, aos autodeclarados pretos, pardos e indígenas.
 
A cota de 50% deverá ser implantada por todas as universidades e institutos federais até o início do segundo semestre de 2016. A lei exige que, até lá, as instituições apliquem pelo menos 25% da reserva de vagas previstas no texto a cada ano. Isso significa que, a partir de 2013, uma instituição com mil vagas abertas deverá reservar 12,5% delas para estudantes de escolas públicas, sendo que 7,25% das vagas serão para estudantes de escola pública com renda familiar de até 1,5 salário mínimo per capita e uma porcentagem definida pelo Censo do IBGE para estudantes de escola pública que se autodeclarem pretos, pardos ou indígenas.
 
A regulamentação permite ainda que as universidades, se quiserem, instituam reservas de vagas suplementares ou de outra modalidade (como, por exemplo, para pessoas com deficiência, ou uma cota extra para indígenas), além desta cota já garantida por lei.
 
Um comitê formado por dois representantes do MEC, dois representantes da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e dois representantes da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República será instituído para acompanhar e avaliar o cumprimento da lei das cotas.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Notícias


PRODUÇÃO INDUSTRIAL BAIANA CRESCEU 3,1 % DE JANEIRO A AGOSTO


De acordo com os resultados da Pesquisa Industrial Mensal, realizada pelo IBGE, a produção industrial baiana (de transformação e extrativa mineral) apresentou, crescimento de 3,1% no acumulado do ano (janeiro a agosto). O indicador também apontou acréscimo de 0,8% nos últimos doze meses. Em agosto de 2012, a produção industrial baiana registrou acréscimo de 0,1%, na comparação com o mês de julho de 2012, série com ajuste sazonal. Na comparação com agosto de 2011, a produção registrou aumento de 3,4%.

ANÁLISE DOS SETORES DE ATIVIDADES – Na comparação julho12/agosto12, na série ajustada sazonalmente, a taxa da produção industrial registrou acréscimo de 0,1%, após crescer 0,8% em julho. No confronto agosto12/agosto11, a indústria apresenta variação positiva na produção física com taxa de 3,4%. O resultado positivo no indicador é atribuído, principalmente, ao crescimento nos segmentos de refino de petróleo (11,2%), produtos químicos (6,2%) e alimentos e bebidas (10,1%). Os segmentos de borracha e plástico (15,3%) e minerais não metálicos (7,9%) também influenciaram o desempenho do setor. Por outro lado, as contribuições negativas vieram de metalurgia básica (-37,8%), veículos automotores (-22,9%) e celulose e papel (-3,2%).

 
No acumulado de janeiro a agosto, comparado com o mesmo período do ano anterior, a taxa da produção industrial baiana registrou acréscimo de 3,1%. Seis dos oito segmentos da indústria de transformação influenciaram o resultado no período, com destaque para produtos químicos (11,8%), alimentos e bebidas (5,0%), borracha e plástico (10,0%), celulose e papel (1,9%) e minerais não metálicos (4,3%) e refino de petróleo (0,2%). Registraram-se resultados negativos nos setores de metalurgia (-16,6%), resultado da queda na produção de barras, perfis e vergalhões de cobre e ferrossilício e veículos (-16,0%). 



Indústria e Principais Gêneros


Bahia - Taxa de Crescimento


Agosto – 2012


     Em %


Classes e Gêneros
No mês(1)
Mensal(2)
Acum. no ano(3)
Acum. 12 meses(3)
Indústria geral
0,1
3,4
3,1
0,8
Extrativa mineral
1,8
2,9
-2,6
-4,7
Indústria de transformação
0,2
3,4
3,4
1,2
Alimentos e bebidas
2,6
10,1
5,0
5,6
Celulose, papel e produtos de papel
-5,8
-3,2
1,9
2,4
Refino de petróleo e álcool
-3,6
11,2
0,2
-5,6
Produtos químicos
3,7
6,2
11,8
8,3
Borracha e plástico
0,9
15,3
10,0
7,6
Minerais não metálicos
-1,2
7,9
4,3
2,7
Metalurgia básica
30,8
-37,8
-16,6
-12,5
Veículos automotores
10,4
-22,9
-16,0
-21,8

Notas:     (1) Em relação ao mês exatamente anterior, com ajuste sazonal

                (2) Em relação ao mesmo mês do ano anterior

(3) Em relação ao mesmo período do ano anterior
Fonte revista SEI

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Notícias

O 'sonho americano' se tornou um mito, afirma economista Prêmio Nobel
 
O setor financeiro é responsável pela crescente desigualdade entre ricos e pobres nos Estados Unidos, diz o professor de economia ganhador do Prêmio Nobel, Joseph Stiglitz. Em uma entrevista para a “Spiegel”, ele acusa o setor de rapinar os pobres e comprar políticas do governo que o ajuda a ficar mais rico. Na Universidade de Colúmbia, que fica localizada a apenas quadras do Harlem, no oeste de Manhattan, riqueza e pobreza estão mais próximas do que em muitos lugares em Nova York. Aqui é onde o economista americano e ganhador do Prêmio Nobel de 2001, Joseph Stiglitz, trabalha como professor.
Natural de Gary, Indiana, ele passou anos examinando a desigualdade social. Sua primeira experiência pessoal com a questão ocorreu na infância, quando perguntou por qual motivo sua babá não estava cuidando de seus próprios filhos. Posteriormente, como economista-chefe do Banco Mundial, ele estudou o fenômeno em um nível global. Em junho, ele publicou um livro sobre o assunto, intitulado “The Price of Inequality: How Today's Divided Society Endangers Our Future” (O preço da desigualdade: como a sociedade dividida de hoje coloca nosso futuro em risco, em tradução livre), que foi lançado recentemente em alemão. Em uma entrevista para a “Spiegel”, Stiglitz discute como a disparidade de renda está dividindo os Estados Unidos e como a Europa poderia superar a crise do euro.

Spiegel: Professor Stiglitz, como o senhor espera que o próximo presidente dos Estados Unidos trate do problema da distribuição desigual de riqueza?
Stiglitz: Primeiro, ele precisa reconhecer que há um problema. Observar o crescimento da desigualdade é como observar o crescimento da grama. Você não a vê crescendo no cotidano, mas após um período de tempo, o crescimento se torna visível.
 
O movimento "Occupy Wall Street", que teve origem com a crise econômica e que se espalhou por todo o mundo, completa um ano; na foto, estudante pinta o corpo para participar de protesto em em Nova York, nos EUA Spencer Platt/Getty Images/AFP

Spiegel: Qual é a escala dessa desigualdade?

Stiglitz: Nas últimas décadas, a disparidade de renda e riqueza cresceu dramaticamente neste país (os Estados Unidos). Permita-me dar um exemplo: em 2011, os seis herdeiros do império Walmart tinham uma riqueza de quase US$ 70 bilhões, que equivale à riqueza somada dos 30% de renda mais baixa da sociedade americana.

Spiegel: Os Estados Unidos sempre se viram como sendo uma terra de oportunidade, onde as pessoas podem sair da miséria para a riqueza. O que aconteceu ao sonho americano?

Stiglitz: Essa crença ainda é poderosa, mas o sonho americano se tornou um mito. As chances na vida de um cidadão americano jovem dependem mais da renda e da educação de seus pais do que em qualquer outro país industrializado avançado para o qual existem dados. A crença no sonho americano é reforçada por casos, por exemplos dramáticos de indivíduos que ascenderam do fundo ao topo –mas o que mais importa são as chances na vida do indivíduo. A crença no sonho americano não é apoiada por dados.

Spiegel: O que os números sugerem?

Stiglitz: Não houve nenhuma melhoria no bem-estar da família típica americana por 20 anos. Por outro lado, o 1% no topo da pirâmide da população ganha 40% mais em uma semana do que o quinto mais baixo recebe em todo um ano. Resumindo, nós nos transformamos em uma sociedade dividida. A América criou uma máquina econômica maravilhosa, mas a maioria dos benefícios vai para o topo.

Spiegel: Entretanto, restando mais cinco semanas de campanha presidencial, a desigualdade ainda não teve um papel sério.

Stiglitz: Ela é um assunto, mas geralmente apenas sob a superfície. Não se pode esperar um debate científico sobre o coeficiente Gini, a medição estatística de desigualdade. Mas quando os democratas dizem que apoiam a classe média, eles estão falando sobre a desigualdade. E eles acentuam o contraste com o candidato republicano, Mitt Romney, que é emblemático do 1% superior da população. O fato de Romney ter denegrido os 47% dos americanos que não pagam imposto de renda provocou uma reação enorme, em parte porque mostrou quão fora de contato as pessoas no topo estão do restante do país.

Spiegel: O slogan político do movimento Ocupe é “Nós somos os 99%”. Mas quem exatamente representa o 1%?

Stiglitz: É o grupo de pessoas que fica com 20% a 25% da renda. A fatia delas dobrou nos últimos 30 anos. Elas são donas de aproximadamente 35% da riqueza ou mais. Elas têm as melhores casas, a melhor educação e os melhores estilos de vida.

Spiegel: Mas os ricos não dão algo em troca? Na Alemanha, o 1% superior contribui com quase um quarto da receita tributária, e os 10% superiores com mais da metade dos impostos. Essa não é uma divisão apropriada?

Stiglitz: Eu desconheço os números alemães. O que posso dizer é que o 1% no topo nos Estados Unidos tem uma taxa média de impostos de menos de 30% de sua renda declarada, e a grande parcela que tira grande parte de sua renda dos ganhos de capital paga ainda menos. E nós sabemos que eles não declaram toda sua renda.

Spiegel: Nós achávamos que, de modo geral, os americanos não invejavam a riqueza dos ricos.

Stiglitz: Não há nada errado se alguém que inventou o transistor ou realizou algum avanço técnico que é benéfico para todos receba uma grande renda. A pessoa merece o dinheiro. Mas muitos no setor financeiro enriqueceram por meio de manipulação econômica, por práticas enganosas e anticompetitivas, por empréstimos predatórios. Eles tiraram proveito dos pobres e desinformados, enquanto ganhavam quantidades imensas de dinheiro explorando esses grupos com empréstimos predatórios. Eles lhes vendiam hipotecas caras e escondiam os detalhes sobre as taxas nas letras miúdas.

Spiegel: Por que o governo não impediu esse comportamento?

Stiglitz: O motivo é óbvio: a elite financeira apoia as campanhas políticas com contribuições imensas. Ela compra as regras que lhe permite ganhar o dinheiro. Grande parte da desigualdade existente hoje é consequência das políticas do governo.

Spiegel: O senhor pode nos dar um exemplo?

Stiglitz: Em 2008, o presidente George W. Bush alegou que não tínhamos dinheiro suficiente para fornecer cobertura de saúde para as crianças pobres americanas, que custava alguns poucos bilhões de dólares por ano. Mas repentinamente tínhamos US$ 150 bilhões para resgatar a seguradora AIG. Isso mostra que há algo errado em nosso sistema político. Está mais próximo de “um dólar, um voto”, do que “uma pessoa, um voto”.

Spiegel: Com 99% contra 1%, soa como se fosse a condição perfeita para uma revolução. Por que as coisas ainda estão tão calmas nos Estados Unidos?

Stiglitz: Os Estados Unidos não têm muito espírito revolucionário. Minha verdadeira preocupação é que as pessoas fiquem alienadas da política. Na última eleição, nós tivemos um comparecimento do eleitor para votar de cerca de 20% entre os jovens. Essas são as pessoas cujo futuro está mais em risco, e 80% delas acham que não vale a pena votar, porque o sistema é manipulado e no final os bancos vão dirigir o país de qualquer forma.

Spiegel: O movimento Ocupe não conseguiu se tornar um fator poderoso. Por que ele fracassou?

Stiglitz: Ele se transformou em um movimento antiestablishment, e um aspecto de ser antiestablishment é ser antiorganização. Não é possível ter um movimento que não seja organizado. De qualquer modo, a frustração ainda está lá. Eu vou contar uma história: eu assisti recentemente “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht. Quando chegou a frase “O que é roubar um banco comparado a fundar um banco?”, a plateia inteira começou a aplaudir.

Spiegel: Quatro anos atrás, nós citamos essa frase em uma capa da “Spiegel”, sobre a crise bancária.

Stiglitz: É mesmo? Não era uma plateia demagoga naquela noite no teatro, mas para mim disse algo sobre até que ponto isso penetrou na psique dos americanos.

Spiegel: O que há na mente deles?

Stiglitz: As pessoas temem perder seu emprego. Mesmo as que estão empregadas, elas não sabem se o manterão. O que é certo é que se perderem o emprego, será difícil conseguir outro. Todo mundo conhece alguém que não consegue encontrar um emprego...

Spiegel: ...ou que perdeu sua casa.

Stiglitz: Essa é outra fonte de ansiedade. Mais de um quarto de todos os proprietários de imóveis residenciais deve mais do que o valor de suas casas. Nós precisamos de uma estratégia de crescimento para estimular a economia. Nós não investimos o suficiente por 30 anos –em infraestrutura, tecnologia, educação.

Spiegel: Com um fardo da dívida de US$ 16 trilhões, não há muito espaço para manobra.

Stiglitz: Os Estados Unidos podem tomar empréstimos com taxa de juro próxima de 0%, de modo que seríamos estúpidos se não investíssemos mais dinheiro e criar empregos. E também poderíamos fazer esforços para assegurar que os super-ricos paguem sua parcela justa. Nós poderíamos levantar mais dinheiro de uma série de formas. Olha para as empresas de mineração: o governo lhes concede o direito de extrair recursos por muito menos do que deveria, mas leilões poderiam assegurar que paguem o apropriado.

Spiegel: Então, sua resposta para o problema da desigualdade é transferir dinheiro do topo para a base?

Stiglitz: Primeiro, transferir dinheiro do topo para a base é apenas uma sugestão. Mais importante é ajudar a economia a crescer de modo que beneficie tanto as pessoas na base quanto no topo, e o fim dos “privilégios”, que transferem muito dinheiro dos cidadãos comuns para aqueles no topo.

Spiegel: A redistribuição também é a estratégia quando se trata da Europa e da crise do euro –a transferência de dinheiro do norte para o sul?

Stiglitz: O principal problema na Europa no momento são os pacotes de austeridade, que deprimem a demanda e enfraquecem o crescimento econômico. A reversão dessa política é absolutamente essencial para desenvolver crescimento e uma maior igualdade. A Espanha, por exemplo, fica cada vez mais fraca, o dinheiro sai do país, e é um ciclo vicioso.

Spiegel: O verdadeiro problema não é a falta de competitividade? A Espanha e os outros países na crise gastavam além de seus meios, esse é o motivo para estarem em apuros.

Stiglitz: Não, a crise da Europa não é causada por dívidas de longo prazo e deficits excessivos. Ela é causada pelos cortes de gastos do governo. A recessão causou os deficits, não o contrário. Antes da crise, a Espanha e a Irlanda apresentavam superavits orçamentários. Elas não podem ser acusadas de esbanjamento fiscal. Mas disciplina fiscal apenas piorará a recessão. Nenhuma economia se recuperou de uma recessão por meio de austeridade.

Spiegel: É mesmo? E quanto a Estônia ou a Letônia? Com reduções salariais severas, os Estados bálticos aumentaram a produtividade e se recuperaram.

Stiglitz: Elas são economias pequenas. Elas podem compensar a perda de gastos do governo com mais exportações. Mas isso não funciona com uma taxa cambial fixa e quando seus parceiros comerciais não estão bem. Os países em crise não sofrem de gastos excessivos. O problema não é oferta, mas sim demanda. É responsabilidade da política monetária e fiscal manter a economia em pleno emprego.

Spiegel: Independente do custo? Nenhum lar consegue viver permanentemente gastando mais do que ganha. Por que os governos não devem se enquadrar nessa regra?

Stiglitz: Porque os países são diferentes dos lares. Se um cidadão reduz seus gastos, não há nenhuma consequência para o país. O desemprego não aumenta. Mas se o governo corta gastos, isso tem um grande efeito. Uma expansão dos gastos pode aumentar a produção ao criar empregos, que serão preenchidos por pessoas que, caso contrário, estariam desempregadas.

Spiegel: O senhor presume que o governo sabe melhor onde criar empregos. O senhor não está superestimando essa habilidade?

Stiglitz: Nós precisamos de estradas, pontes e aeroportos. Isso é óbvio. Os retornos do investimento público em tecnologia são, na média, muito altos –pense na Internet, no Projeto Genoma Humano e no telégrafo.

Spiegel: Também há muitos exemplos de dinheiro público desperdiçado. O programa espacial americano custa uma fortuna, e os resultados são questionáveis.

Stiglitz: Mas mesmo esses gastos ainda são menores do que o dinheiro desperdiçado pelo setor financeiro privado dos Estados Unidos, e os bilhões gastos para resgatar as empresas do setor financeiro. Apenas uma corporação, a AIG, recebeu mais de US$ 150 bilhões –mais do que foi gasto em bem-estar social para as famílias necessitadas de 1990 a 2006.

Spiegel: Mas o governo também se tornou proprietário dessas empresas e até mesmo conseguiu vender partes delas com lucro. O senhor não teme que essa estratégia de pacotes de estímulo cada vez maiores possa levar a inflação?

Stiglitz: Não necessariamente. O banco central tem a capacidade de tirar liquidez do sistema.

Spiegel: Mas é muito mais difícil diminuir a liquidez do que aumentá-la.

Stiglitz: Um banco central bem administrado conta com muitas ferramentas. Ele pode aumentar os juros ou as exigências de depósito compulsório para os bancos privados. Logo, acho que o risco é relativamente pequeno. A fraqueza na economia europeia apresenta um risco muito maior do que qualquer risco de inflação moderada. É melhor algum emprego onde o salário perde em termos reais em poucos pontos percentuais do que nenhum emprego.

Spiegel: Para o senhor, quais são as perspectivas de futuro da Europa?

Stiglitz: A Europa está enfrentando um ponto crítico. As alternativas são “mais Europa” ou “nenhuma Europa”. A configuração de meio-termo é instável.

Spiegel: Qual seria a melhor opção para a Alemanha?

Stiglitz: Ambas as estratégias custarão dinheiro para a Alemanha, mas a opção “mais Europa” custará menos. A Europa precisa de um sistema bancário comum e de uma estrutura financeira comum. Se a Europa tomar empréstimos como um todo, ela poderia ter melhor acesso ao crédito do que os Estados Unidos. Logo, “mais Europa” não é apenas melhor para a Espanha ou para a Itália, mas também para a Alemanha.

domingo, 7 de outubro de 2012

Cooperativismo

Sistema Ocergs-Sescoop/RS debate Lei do cooperativismo de Trabalho
cooptrabalho
Escrito por Rafaeli Drews Minuzzi

Lei que regulamenta cooperativas de Trabalho, sancionada em julho de 2012, é apresentada e debatida em Seminário destinado a dirigentes de cooperativas do ramo


O Sistema Ocergs-Sescoop/RS promoveu, na manhã do dia 28 de setembro, o Seminário Cooperativas de Trabalho e o Advento da Lei nº 12.690/2012, sancionada em 20 de julho, que regulamenta as cooperativas de Trabalho. A proposta do evento, que ocorreu na sede da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), foi informar, discutir, compreender e adaptar as cooperativas à Legislação em seus diferentes aspectos. E ainda, lei sancionada em 20 de julho, que regulamenta as cooperativas de Trabalho.
A abertura do Seminário foi feita pelo presidente do Sistema, Vergilio Perius, que discorreu sobre os aspectos positivos da lei, a classificação das cooperativas do ramo, divididas em: Produção e Serviços, os riscos de interferência da lei no funcionamento das cooperativas de Trabalho e o objetivo do Estado no incentivo às cooperativas do ramo.
Segundo Perius, a finalidade da lei é consolidar o ramo Trabalho, promovendo sua consolidação. “Este é um momento histórico para cooperativismo, em que é necessária a união das cooperativas do ramo e suas experiências para construir um novo caminho. Assim, a lei funciona como um instrumento de defesa e fortalecimento do ramo”, destacou.
Após, o gerente jurídico do Sistema, Mario de Conto, apresentou os aspectos gerais da Lei, como definições, princípios do cooperativismo de Trabalho, esclarecimentos sobre os direitos dos associados, honorários. De Conto afirmou que esse é um marco jurídico, o momento adequado para discussões sobre as adequações a serem feitas pelas cooperativas e completa: “Esse não é um evento conclusivo, e sim uma oportunidade de colher sugestões para o que ainda será construído”.
O coordenador jurídico da Ocergs, Tiago Machado, comentou sobre os aspectos específicos da Lei como subordinação, objetivos e benefícios e direitos do associado. Segundo ele, a Lei é um marco regulatório de proteção ao trabalhador da cooperativa, independente da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A análise e esclarecimentos contábeis foram feitos pelo o assessor contábil do Sistema, Leonardo Dangel, através de comparações da Lei com a Constituição Federal, recomendações às cooperativas, resumo de cálculos e ainda, comparativo de cooperativas de Produção e Serviço.
Após os questionamentos feitos pelos dirigentes de cooperativas de Trabalho, Produção, Mineração e Educação aos palestrantes, a vice-presidente da Federação das Cooperativas de Trabalho do RS (Fetrabalho), Margarete Moraes, falou sobre a importância da criação da Lei. “Não sabemos se alcançaremos os objetivos, mas devemos unir forças, ir atrás das dúvidas para fortalecer a Federação e promover a representação das cooperativas do ramo”, salientou.
Em outubro, haverá novo seminário para organização e adaptação dos aspectos contábeis da Lei 12.690/2012.

Cooperativismo

Cooperativa Agrária expõe diferenciais do WinterShow 2012
 
Cooperativa Agrária expõe diferenciais do WinterShow 2012A programação do WinterShow 2012 foi oficialmente apresentada na manhã de ontem, no miniauditório do prédio administrativo da Cooperativa Agrária. Em debate com a imprensa de Guarapuava e região, o presidente da Agrária, Jorge Karl, o gerente agrícola André Spitzner, e o coordenador da assistência técnica, Leandro Bren, expuseram os pontos altos do evento.

Em 2012, o WinterShow atinge sua oitava e maior edição, tornando-se o principal evento brasileiro relativo a cereais de inverno. Ele será realizado no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, nos dias 17 e 18 de outubro. Antes, no dia 16, ocorre a pré- abertura com o tradicional desfile de máquinas antigas, às 10h.

Em pronunciamento a veículos de comunicação de Guarapuava, Pinhão e Ponta Grossa, o presidente da Agrária, Jorge Karl, destacou que a edição 2012 do WinterShow tem a especificidade de discutir o mercado do trigo na visão dos moageiros, cooperativas e do governo. “É muito importante discutirmos esses fatores, o Brasil não é autossuficiente em trigo e não há um denominador comum quanto à cadeia produtiva desse cereal”, destacou.

Por sinal, o evento inicia com palestras de autoridades do agronegócio, que debaterão o “Futuro do trigo no Brasil”. Para tanto, o evento contará com a presença do presidente da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), Sérgio Amaral, presidente da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), João Paulo Koslovski, e o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho.

Além do trigo, observou André Spitzner, a Agrária valoriza também as outras culturas de inverno, como cevada, aveia e canola. “Nossa região não tem a safrinha, portanto é muito importante desenvolvermos essas culturas, especialmente de cevada e trigo”.

Um dos diferenciais do WinterShow 2012, em relação aos anos anteriores, é a programação abrangente, sublinhou Leandro Bren. “Neste ano, temos muitas atrações: palestras importantes, a dinâmica de máquinas agrícolas, os eventos paralelos, de modo que é necessário acompanhar os dois dias de WinterShow para conseguir ver tudo”.

Os visitantes terão a oportunidade ainda de realizar test drive de pick-ups, visitar os cerca de 40 estandes do evento, bem como a cervejaria local. Espera-se um público de três mil pessoas.
Fonte: Diário de Guarapuava em 05/10/2012

Cooperativismo

Cooperativismo de Crédito pode ter Fundo Garantidor
 
Cooperativismo de Crédito pode ter Fundo GarantidorEm reunião com o diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, Sidnei Marques, e cerca de dez outros representantes da instituição, o Conselho Consultivo do Ramo Crédito (Ceco), coordenado por José Salvino de Menezes, evoluiu nos entendimentos e detalhes, na tarde desta quinta-feira (4/10), a respeito da minuta de Resolução para criação do Fundo Garantidor do cooperativismo de crédito brasileiro. “A criação do Fundo Garantidor de Créditos aumentará e consolidará a confiabilidade do público em geral no segmento cooperativo”, declarou o diretor do BC.

Representando a Diretoria do Sistema OCB na reunião, o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras no estado do Mato Grosso do Sul (OCB-MS), Celso Régis, avaliou como extremamente positiva para o Sistema a relevância dada pelo BC à criação do Fundo, levando em consideração o empenho que vem sendo dedicado ao tema e a presença maciça de seus representantes na reunião. E pontuou, ainda: “Estamos vivendo um momento muito pró-ativo, de busca pela melhoria dos marcos regulatórios do setor. Esse Fundo Garantidor vem ao encontro de um anseio do cooperativismo de crédito brasileiro, e com certeza irá promover o seu crescimento e fortalecimento”. Segundo Régis, durante todo o encontro houve alinhamento entre as posições de ambas instituições.

De acordo com o Conselheiro Fiscal da OCB, João Carlos Spenthof, na ocasião representando o Sistema Sicredi no Ceco, o objetivo do Fundo é garantir segurança aos associados depositantes, das cooperativas de crédito, assegurando os depósitos dos sócios. “É a obtenção de garantia e equidade em relação às demais instituições financeiras do mercado brasileiro, que operam com seu Fundo Garantidor de Créditos neste mesmo valor”, pontuou.

O gerente do Ramo Crédito da OCB, Sílvio Giusti, explica que as entidades participantes do Fundo serão as cooperativas de crédito que captam depósitos e os bancos cooperativos, e que a cobertura será similar à do FGC das demais instituições financeiras. Segundo Giusti, a proposta do Fundo é equilibrar as forças dentro do mercado financeiro, ampliando significativamente a capacidade de competição das cooperativas nesse novo cenário vivido no Brasil. “A ideia é que o Fundo potencialize as condições das cooperativas crescerem com, no mínimo, a mesma segurança das outras instituições. A expectativa é equilibrar essa condição de segurança e ampliar a competitividade das cooperativas frente às demais instituições financeiras brasileiras”, resumiu.

A estimativa é de que a Resolução que trata da criação do Fundo seja lançada ainda neste mês de outubro, possivelmente quando da realização do IV Fórum BC de Inclusão Financeira, previsto para os dias 29 a 31 de outubro. Posteriormente, os representantes do Ceco e BC iniciam novas discussões sobre uma segunda Resolução que deverá normatizar o Fundo, no que diz respeito ao estatuto e regulamento, pontuando questões relativas a governança, contribuições e utilização efetiva dos recursos.

Fonte: OCB/Sescoop em 05/10/2012

Cooperativismo

Primeiro seminário de cooperativas agropecuárias acontece em Jaru
 
Primeiro seminário de cooperativas agropecuárias acontece em JaruO setor produtivo agropecuário de Rondônia estará reunido em evento que está sendo organizado pelo sistema OCB/SESCOOP-RO, órgão que representa, apoia e incentiva o cooperativismo no estado.

O I Seminário de Cooperativas do Ramo Agropecuário em Rondônia será realizado nos dias 19 e 20 de outubro, de 08 às 18 horas no auditório da Associação Comercial de Jaru, região central do estado.

A expectativa é que estejam representadas todas as regiões produtoras, cada uma com suas peculiaridades, demandas e sugestões para o desenvolvimento do agronegócio em Rondônia. São esperadas mais de 150 pessoas no evento.

O presidente da OCB/SESCOOP-RO, Salatiel Rodrigues diz que a participação dos produtores é muito importante para traçar metas para o futuro do setor agropecuário no estado. “Praticamente todos os produtores rurais, grandes ou pequenos, são ligados a cooperativas e essa é a principal forma de organização do setor, o que aumente ainda mais a responsabilidade e importância de se realizar um evento como esse para discutir o agronegócio no estado”, explica.

As inscrições para o evento e maiores informações estão disponíveis no site www.ocb-ro.org.br ou pelo telefone (69)3224-6116.





Fonte: SESCOOP-RO em 05/10/2012