segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Notícias

Milhares de barragens subterrâneas vão viabilizar convivência com o semiárido
 
(Lapão – BA) - O pequeno município de Lapão, no Território de Identidade de Irecê, um dos mais castigados pela pior seca da história do Nordeste foi, na noite desta quinta-feira (19), palco de um dos mais importantes e históricos acontecimentos visando a convivência com o semiárido. O governo do Estado entregou 26 das 98 retroescavadeiras que serão doadas aos municípios da área de atuação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), destinadas especificamente à construção de barragens subterrâneas, limpeza e abertura de aguadas. Com recursos oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Ministério da Integração, seriam construídas apenas 1.300 barragens, mas o governo do Estado através da Secretaria da Agricultura, Companhia de Desenvolvimento e Ação Social (CAR/Sedir) e Casa Civil encontraram uma fórmula para maximizar os recursos e assim serão construídas cinco mil barragens subterrâneas.
 
“Essas máquinas mudarão a vida de milhares de agricultores” disse o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, afirmando que “hoje estamos realizando um sonho e dando passos largos para alcançar a convivência com o semiárido e evitar no futuro sofrimentos como os de agora com essa seca prolongada. O evento, realizado no centro cultural da cidade, contou com a presença dos 26 prefeitos que receberam as máquinas, centena de produtores, do vice-governador Otto Alencar, do secretário da Casa Civil, Rui Costa, do presidente da Codevasf, Elmo Vaz, e do diretor-executivo da CAR, José Vivaldo de Mendonça Filho, dentre inúmeras outras autoridades.
 
As atuações da Seagri e da CAR para concretizar a entrega das máquinas foram destacadas por Otto Alencar, Rui Costa e pelo presidente da Codevasf. Há um ano e meio, na condição de presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Agricultura (Conseagri), Salles, acompanhado por todos os secretários de Agricultura do Nordeste e o de Minas Gerais, foi à Brasília e apresentou ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho, um projeto estruturante de convivência com o semiárido, reivindicando a liberação de recursos não reembolsáveis para a construção de milhares de barragens subterrâneas no nordeste brasileiro. “Ele e sua diretoria ficaram sensíveis à nossa proposta e o Banco, em parceria com o Ministério da Integração, liberou R$ 100 milhões para o Nordeste, sendo desse total R$ 26 milhões para a Bahia, liberados através da Codevasf”.
 
Se o governo contratasse empresas para construir as barragens, o valor liberado só seria suficiente para fazer 1.300, fato que levou o governo a buscar alternativas para maximizar os recursos. Salles explicou que “depois de diversas reuniões com o presidente da Codevasf e da CAR, concluímos que era mais viável comprarmos 98 retroescavadeiras e doá-las aos municípios com todo material necessário para as construções de milhares de barragens subterrâneas, ficando os municípios com a responsabilidade de tocar a construção das barragens, com capacitação e acompanhamento da Seagri, Car e Codevasf”.
 
De acordo com os termos do convênio, as retroescavadeiras serão empregadas na construção de barragens subterrâneas que proverão água à produção de agricultores familiares. Após a conclusão dessa meta, as prefeituras poderão utilizar as máquinas em outras ações. As barragens represam cursos d'água e fazem com que o solo de áreas adjacentes retenha umidade. O solo molhado alimenta as plantações dos agricultores em períodos do ano em que não há chuva.
 
De acordo com o secretário Eduardo Salles, a seleção dos municípios foi feita depois de criteriosos estudos técnicos, realizados por um grupo de trabalho constituído por técnicos da Codevasf, Seagri/Superintendência de Irrigação, e Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), considerando-se, dentre outros critérios, a favorabilidade do solo para este tipo específico de barramento.
 
Elmo Vaz, presidente da Codevasf destacou a articulação feita entre os governos estadual e federal e anunciou que a Codevasf está trabalhando a revitalização dos rios Verde e Jacaré, “que são as grandes veias do platô de Irecê. Ele disse também que “transformar a possibilidade de construir 1.200 barragens em cinco mil foi uma sábia decisão do governo baiano, que vai atender a milhares de agricultores”.
 
Municípios contemplados
 
Os municípios que receberam as 26 máquinas são América Dourada, Barra do Mendes, Barro Alto, Cafarnaum, Canarana, Central, Gentil do Ouro, Ibipeba, Ibititá, Ipupiara, Irecê, Itaguaçu da Bahia, João Dourado, Jussara, Lapão, Mulungu do Morro, Presidente Dutra, São Gabriel, Uibaí e Xique-Xique, todos esses no Território de Identidade de Irecê. Barra e Brotas de Macaúbas, no Território de Identidade Velho Chico. Bonito, Novo Horizonte e Souto Soares no Território de Identidade da Chapada, e Buritirama, no Território da Bacia do Rio Grande.
 
Para o prefeito de Ipupiara, Davi Ribeiro, a doação da máquina representa muito para o município, que “com recursos próprios não teria condições de comprar um equipamento como esse, tão importante para prevenirmos dramas futuros com a seca, como o que estamos vivendo”. Ele conta que muitas famílias já migraram para grandes centros. Segundo ele, serão construídas mais de 350 barragens no município.
 
Prefeito de América Dourada, Joelson Cardoso do Rosário, disse que o equipamento chega em bom momento e que vai fazer cerca de 300 pequenas barragens, destacando que o município tem a hortifruticultura como uma de suas principais atividades, que foi muito prejudicada com a seca.
Para Cristina Sodré, prefeita de Brotas de Macaúbas, a limpeza e abertura de novas aguadas serão de grande valia para a agricultura familiar do seu município.
 
Fonte:
Ascom Seagri
Josalto Alves – DRT-Ba 931
Tel.:(71)9974-2354/3115-2794
 

Cooperativismo

Convênios entre EBDA e cooperativas beneficiam trabalhadores rurais
 
Foto: Manu Dias/GOVBA
Quatro convênios entre a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e cooperativas do estado foram assinados na manhã desta sexta-feira (20), durante o 26º Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Parque de Exposições de Salvador, com a presença do governador Jaques Wagner. 
 
Os convênios entre a EBDA e as cooperativas são para plantação de palma forrageira, milho para silagem, pastagem, e entrega de 400 animais para reprodução. 
 
Para o governador Jaques Wagner, "a relação entre o MST e o Governo do Estado foi construída pela identidade da Bahia, que o Movimento e nós queremos construir, uma terra com igualdade de oportunidades, mais justa e mais forte pela inclusão do nosso povo."
 
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domingo, 1 de dezembro de 2013

Notícias

Agricultura familiar é destaque no espaço da EBDA na Fenagro 2013
 
Aproximadamente 70% dos alimentos que chegam à mesa das famílias brasileiras são provenientes da agricultura familiar, segmento que, na Bahia, tem 665 mil famílias. Para apresentar essa extensão da zona rural na capital baiana, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), órgão oficial de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), vinculado à Secretaria da Agricultura (Seagri), montará o Espaço do Agricultor Familiar, na Fenagro 2013, entre os dias 30 de novembro e 08 de dezembro, no Parque de Exposições de Salvador.
 
Durante os nove dias de evento, os visitantes do estande da EBDA terão contato com as principais tecnologias de convivência com a seca, que amenizam as dificuldades do homem do campo no Semiárido baiano. Serão dispostas as alternativas de alimentação animal, plantio diversificado de culturas, metodologias de irrigação, entre outras tecnologias. “O ano de 2013 não foi fácil para o agricultor familiar, que enfrentou uma das maiores secas, das últimas décadas. Entretanto, existem alternativas que auxiliam na convivência com esses tempos difíceis. O papel da EBDA é levar tecnologia, assistência técnica e resultados de pesquisas para estas famílias”, afirmou o presidente da EBDA, Elionaldo de Faro Teles.
 
Apresentação
 
O estande abarcará uma área especial dedicada às crianças, que funcionará diariamente, a partir do dia 01 de dezembro, das 10h às 22h, contando com programação interativa, apresentação teatral, leitura de contos, brincadeiras e desenhos. “Esse é o primeiro ano do Espaço Infantil, e desde já, acho que será um sucesso entre a garotada. Buscaremos, de uma forma lúdica, ensinar para as nossas crianças a importância de uma alimentação saudável e os valores da agroecologia”, comentou Teles.
A Central de Laboratório da Agropecuária (CLA), pertencente à EBDA, vai expor mostras de pesquisas em diversas áreas. Estarão disponíveis estudos referentes à biologia molecular, doenças em plantas, mosca das frutas, além de classificação vegetal, que analisa alimentos como feijão, arroz, trigo, dentre outros, para emissão de laudos e certificação de produtos.
 
Ainda na programação da empresa, será realizado o lançamento do livro “A Palma Forrageira no Estado da Bahia: diagnóstico, recomendações técnicas e uso na alimentação animal e humana”, de autoria dos técnicos da EBDA, Jorge de Almeida, Clovis Pereira Peixoto e Carlos Alberto da Silva Ledo. Na obra, os autores apresentam o resultado de uma pesquisa descritiva, realizada em 130 municípios da região semiárida do Estado, onde é comprovada a importância econômica do cultivo da palma, além de trazer recomendações técnicas para o cultivo, preparo do solo, colheita, utilização na alimentação animal, receitas culinárias que permitem inserir o cacto na alimentação humana.
 
Outro evento que movimentará o Espaço do Agricultor Familiar será a homenagem a um técnico da empresa, cerimônia que comemora o Dia do Extensionista Rural, com data em 6 de dezembro. Os extensionistas são os agrônomos, técnicos agrícolas, veterinários, sociólogos, zootecnistas, assistentes sociais e outros profissionais dedicados à tarefa de disseminar conhecimento entre os agricultores familiares, respeitando os conhecimentos, saberes e culturas dos agricultores.
 
A participação da EBDA não fica restrita ao estande. A empresa também demonstrará, de forma interativa e dinâmica, as diversas fases de 12 cadeias produtivas do estado, dentre elas a mandioca, cana-de-açúcar, guaraná, algodão, mamona, sisal, dendê, ovinos e caprinos e borracha. A EBDA ainda promoverá caravanas de agricultores familiares vindos dos municípios de Ribeira do Pombal, Esplanada, Barra, Teolândia, Itanagra, Ipirá, Arembepe e Mata de São João, que conhecerão a feira, o Espaço do Agricultor, além de participar de cursos, oficinas, seminários, palestras e reuniões que debaterão temas importantes sobre agroecologia, o uso da palma da alimentação animal, dentre outros assuntos importantes para o desenvolvimento da agricultura familiar baiana.
 
Comercialização de produtos da agricultura familiar
 
A EBDA também trabalha, no campo, com a formação dos agricultores familiares, em diversas áreas, a exemplo de artesanato, produção de alimentos, extrativismo e outros, acompanhando o produtor rural em todas as etapas da cadeia produtiva. Por isso, a empresa é uma das apoiadoras da Feira Baiana de Economia Solidária e Agricultura Familiar (Febasfes), que está em sua quarta edição, na Fenagro, e visa incentivar e ampliar a comercialização dos produtos da Agricultura Familiar.
 
Neste ano, os visitantes da Fenagro 2013 poderão conhecer e adquirir mais de 200 produtos oriundos da agricultura familiar, como achocolatado, doces, frutas, mel, cachaça e muitos outros, que serão comercializados em uma loja da Cesta do Povo, montada na Feira.
 
“A Fenagro é uma excelente oportunidade para divulgarmos e apresentarmos os produtos da agricultura familiar, que desde o mês de julho são vendidos em todas as lojas da Cesta do Povo, nos quatro cantos da Bahia”, disse o diretor de Agregação de Valor e Acesso a Mercados da Seagri/Suaf, Jeandro Ribeiro, enfatizando que o objetivo da Febasfes é criar oportunidade de negócios e campo de comercialização para as cooperativas e associações de agricultores familiares.
 
Segundo Ribeiro, a Fenagro contará com uma praça de alimentação, com 20 empreendimentos da agricultura familiar, onde será possível consumir produtos como beijus, sucos, mariscadas, maniçoba e tilápia.
 
A Febasfes é uma iniciativa da União das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (UNICAFES Bahia), com o apoio da Superintendência de Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (SUAF/SEAGRI), da (EBDA) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
 
Fonte:
Assimp/EBDA – 06/07/2012
Tel.: (71)3116-1907
ebda.imprensa@ebda.ba.gov.br
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sábado, 30 de novembro de 2013

Economia Solidária

Feira da Economia Solidária realiza última exposição de 2013 na Ufal                
Em dezembro os produtos ficarão à mostra durante duas semanas, de 2 a 13 de dezembro             
 
Deriky Pereira – estudante de Jornalismo
 
A Universidade Federal de Alagoas receberá, na próxima semana, mais uma edição da Feira da Economia Solidária. Esta, que será a última do ano de 2013, será realizada de forma diferenciada: os produtos ficarão expostos por duas semanas, entre os dias 2 e 13 de dezembro, na Praça dos Bancos, ao lado da Caixa Econômica Federal, situada no Campus A.C. Simões, em Maceió.
 
A iniciativa é do Núcleo de Incubação de Empreendimentos Solidários (Unitrabalho), coordenado pelo professor César Nonato, do Centro de Educação (Cedu) e pretende divulgar os trabalhos de artesanato feitos pelos grupos incubados pelo núcleo, como sandálias, roupas, bijuterias e artigos de decoração para as comunidades acadêmica e circunvizinha.
 
Outro diferencial desta última edição do ano será mostrado na segunda semana de feira, quando outros grupos estarão presentes, trazendo diversidade aos produtos já oferecidos. Participarão do evento os empreendimentos Guerreiros de Alagoas (Maceió), Cooperartban (Marechal Deodoro), Artemix e Fibrart (Atalaia)”, explicam os organizadores do projeto.
 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Economia Solidária

Autogestão é um desafio para quem não deixou de ser jovem

Por Luigi Verardo (publicado em http://www.agenciajovem.org/wp/?p=18223)
 
ImageA Economia Solidária tem a virtude de poder integrar diversos elementos constitutivos da vida na sociedade humana. Ela tem a potencialidade de agregar o que foi e está sendo pulverizado e fragmentado pela trajetória mais recente da história. A Economia Solidária nasce como expressão de uma inconformidade com o mundo em que vivemos e, ao mesmo tempo, não deixa de apresentar e realizar alternativas econômicas e sociais para o mundo que queremos: mostra que uma outra economia e outra forma de organização e relacionamento social é possível. Atua na área do negócio e combina-a com a área organizacional, de forma que uma não sobreponha a outra.
 
Isto é, se a atividade econômica (produção, serviço, comercialização, consumo, finanças) constitui o elemento básico, ela não prescinde, mas requer afluência de nova cultura, visão ambiental e relacionamento solidário e adequados ao trabalho humano. Isto porque não se trata de uma atividade econômica convencional, mas de economia baseada na solidariedade e organizada de forma autogestionária.
 
Quando definimos os empreendimentos solidários como atividades coletivas, de cooperação e autogestionárias estamos pressupondo a existência de autonomia, o que requer investimento na construção dos elementos de caráter objetivo e subjetivo necessários para que, em última instância, se crie uma cultura avessa à dependência, à exploração, ao preconceito (de raça e de gênero) e à política de dominação. Sabemos que superar os entraves que tanto nos impedem de promover a solidariedade e autogestão requer que se considere as determinações que pesam sobre cada um de nós tanto individual como coletivamente. Afinal, na nossa existência nos encontramos em um mundo que não escolhemos (preferíamos outro e melhor, não é verdade?). Além disso, nos encontramos em uma forma muito louca de relacionamento em sociedade. Vivemos com muitas pessoas que não escolheríamos conviver. Vivemos numa sociedade que usa determinada forma de organização social e cultural que nos precede; contudo, estes são apenas os elementos externos que demarcam nossa existência.
 
Os obstáculos e as cadeias que sequestram nossas almas e nossas alegrias não estão distantes de nós: também estão em nós mesmos. Isto é, fomos educados (desde a infância, na família, nas escolas, nas empresas, nas catequeses e pelos meios de comunicação) para o individualismo, competitividade e dureza nas relações. As heranças culturais e psíquicas não nos abandonam de graça: são heranças, são marcas. Por conta disso, é necessário saber o que queremos e que projeto de vida nos interessa. E, a partir disto, é saber o que podemos e devemos rejeitar ou deixar para trás. Com isso teremos chance de construir o que queremos. Só seremos nós mesmos a partir do que fizermos daquilo que os outros fizeram de nós.
 
Sem dúvida que há necessidade de se desenvolver espírito crítico e promover novas atitudes e sensibilização para novos valores. Contudo, nuvens escuras não se desfazem com simples brisas e tampouco aquelas coisas mais preciosas à vida não são trazidas pela aragem matinal do novo dia que tanto desejamos. É possível que as marcas individuais e coletivas nunca nos abandonem, mas identificá-las e tratá-las permite que se construa o desejável para o amadurecimento individual e para o desenvolvimento do coletivo.
 
O processo de libertação das determinações e de construção voltada à autonomia não se dá pela via teórica ou de forma abstrata. São resultados de novas atitudes e de novas práticas. São frutos que nascem de novo relacionamento no trabalho, no controle coletivo das atividades econômicas. É neste sentido que a Autogestão na Economia Solidária é uma escola não apenas para a economia, mas para a sociedade e para o indivíduo.
 
A promoção de novas formas de relacionamento e de administração envolve necessariamente uma gama enorme de elementos que de alguma forma interferem na vivência das pessoas e dos grupos. É necessário trabalhar os conceitos, preconceitos, informações, juízos de valores que estão incorporados como naturais, assim como atitudes e gestos inconscientes. Por conta disso, afirmamos que a construção de novas relações e novas atitudes exige que se trabalhe com saberes, desejos e fantasias.
 
Constituir alternativas solidárias implica em mexer em escalas de valores. Elas têm a ver com as alterações no comportamento e nas práticas de interação dos indivíduos com o grupo em que convivem e trabalham no dia-a-dia. A economia solidária e a autogestão não são categorias absolutas: são processos de construção em que um rol muito amplo de elementos deve confluir para seu desenvolvimento e para a sua constituição.
 
Combater a dependência é mais do que se dizer “independente” (etimologicamente, dependente de si mesmo). Resta, contudo, saber das dependências conscientes ou inconscientes que herdamos internamente. Contudo, se, de alguma forma, somos determinados pelo nosso meio, isso não nos isenta de responsabilidades. Aliás, devemos ter responsabilidades (responder pelas palavras e ações) de ordem social (relacionais), política (poderes) e ideológica (mentalidades). Quando falamos que desde o começo temos compromisso com a solidariedade, na sua acepção social, cultural e política, estamos nos referindo, antes de tudo, à solidariedade para com os que vivem do seu próprio trabalho, e não de forma geral ou abstrata. Aliás, a solidariedade não se dá apenas com o presente (com as pessoas de hoje) porque a humanidade continua e não é nada solidário gerar hoje um passivo ambiental para as gerações futuras pagarem.
 
Constituir empreendimentos de economia solidária e de autogestão significa, antes de tudo, construir alternativas, pressupondo um incessante trabalho crítico tanto no sentido de negar (na teoria e na prática) o que se quer superar, quanto no de construir o novo a que se propõe. Significa realizar um processo vivo no qual tanto o trabalho quanto o relacionamento interpessoal devem caracterizar-se como atividade essencialmente humana de forma que os sujeitos possam exercer sua atividade de forma prazerosa, sem que se dissociem a produção e a deliberação. Afinal, produzir e decidir sobre o destino do que se produz são partes integrantes do processo de trabalho e da vida humana.
 
As atividades solidárias e de autogestão como gestão democrática requerem um investimento incessante à promoção da inteligência coletiva. Incentivo tanto no sentido de capacitar os trabalhadores e garantir a sustentabilidade do empreendimento, quanto no sentido de sensibilizar o conjunto dos trabalhadores para as novas relações de trabalho e de organização coletiva. Tudo isto sem perder de vista a inserção no mercado. Investir na organização dos trabalhadores e simultaneamente na gestão do negócio significa que é necessário que se distingam, de forma clara, as duas áreas. Significa que se deve tratar de forma distinta, porém combinada, a esfera da gerência e administração do negócio e a área de relação e organização autogestionária. Pois, o espaço das relações cooperativas e o espaço do relacionamento competitivo do mercado constituem duas esferas que são de caráter distinto e contraditório. As diferenças e os conflitos, por sua vez, requerem um tratamento permanente e adequado de forma que possam servir de elemento gerador não só de consciência, mas de estímulo no sentido de se buscar a superação através de novas perspectivas e novas dimensões de relações de trabalho e de vida.
 
Há um tempo acreditou-se que quando os trabalhadores pudessem assumir coletivamente seu próprio negócio iriam fazê-lo de forma muito mais interessante que a mera reprodução daquilo que viviam no mundo do trabalho. Contudo as experiências das centenas de empreendimentos e empresas de autogestão mostrou que o peso da herança da cultura da dominação (principalmente, subalternidade e dependência) e do preconceito persiste nas “novas” relações de trabalho. No caso das empresas recuperadas observamos o quanto a trajetória de lutas e de reivindicações dos períodos anteriores determinava o destino do futuro do empreendimento solidário e de autogestão. Das experiências bem sucedidas ou que redundaram em resultados satisfatórios, nenhuma delas contava com trabalhadores sem experiência de luta (de greve, por exemplo) sem experiência que provasse a importância da solidariedade de classe naquelas ações trabalhistas.
 
Além da história de lutas também a questão etária mostrou sua importância. Se além da ausência da vivência solidária acrescentasse o fator etário, a perspectiva do novo projeto poderia estar toda comprometida. Aliás, daqueles empreendimentos assumidos pelos próprios trabalhadores nenhum se deu com pessoas com idade próxima da aposentadoria e com pouca trajetória de luta e de busca de mudanças e inovações.
 
Quando se trata de constituir projeto de autogestão o segmento jovem apresenta potencialidade superior. Além do gregarismo¹ que expressam em diversas de suas ações possuem de forma menos cristalizada as heranças da dominação. Tiveram menos oportunidade de serem adestrados pelo taylorismo e fordismo. Por fim, pode-se dizer que o jovem possui maior disponibilidade, mais espírito de abertura para vivência de novas realidades.
 
Depois, no processo de implantação sob a gestão direta dos trabalhadores persistem elementos culturais e psíquicos que dificultam o amadurecimento individual e coletivo necessário às práticas autogestionárias. Existem atitudes que fazem lembrar a expressão bíblica: “saudades das cebolas do Egito” porque, por exemplo, o trabalhador antes tinha garantia da Carteira de Trabalho. Agora, não. Antes não precisava conhecer outras áreas de trabalho senão as atividades de sua seção ou de sua profissão. Agora precisa se responsabilizar pela administração do negócio. Aliás, o conceito de “profissão” passa a ter maior abrangência. Mesmo quando o sujeito começa a assumir a gestão muitas vezes faz pela metade de forma que continua se sentindo empregado para cobrar e reclamar e, ao mesmo tempo, acha-se com poderes (de ser chefe) para dar ordem e mandar.
 
Por ser um processo em construção e de inovação o desenvolvimento do empreendimento autogestionário requer inteligência e energia para cuidar da partilha das informações, disponibilidade para participação integral da gestão e vigilância para acompanhar as decisões, os encaminhamentos e resultados. Como se pode observar este caminho não é para qualquer pessoa. As tarefas não são para pessoas burocratizadas e acomodadas com rotinas: são desafios que precisam de jovens para avançar.
Envolva-se:
 
Para conhecer um pouco mais do assunto recomendamos: VERARDO, Luigi. Economia Solidária e autogestão. http://www.fase.org.br/projetos/vitrine/admin/Upload/1/File/Proposta98/luigiverardo98.pdf
¹ “O gregarismo é uma estratégia protetora observada em diversos grupos de animais, que se agrupam em sociedades mais ou menos estruturadas, permanentes ou temporárias, visando a proteção dos indivíduos que a compõem”. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Greg%C3%A1rio

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Abatedouro frigorífico de Morro do Chapéu vai garantir carne saudável para a região
 
 
(Morro do Chapéu/BA) - Garantir carne saudável, livre de doenças como a brucelose, salmonelose e tuberculose, é o que pretende o secretário da Agricultura, Engenheiro Agrônomo Eduardo Salles, ao assinar ordem de serviço para a construção do abatedouro frigorífico municipal de Morro do Chapéu, na noite da última sexta-feira (22), na prefeitura da cidade. Também assinaram o documento, o prefeito Cleová Oliveira Barreto e o representante da empresa SZ Construtora, vencedora de licitação para a construção da obra.
 
“Em nome de toda população de Morro do Chapéu eu agradeço ao governo do Estado, ao senador Walter Pinheiro, que deu o pontapé inicial para conseguirmos essa obra, que vai mudar a realidade do consumo saudável de carne de toda região”, destacou o prefeito Cleová, acrescentando que como contrapartida o município viabilizou o terreno, realizou a pavimentação e garantiu projeto de energia elétrica.
 
O secretário Eduardo Salles destacou que esta é uma das maiores obras da Secretaria Estadual da Agricultura, em um período difícil para a economia do Estado, mas imprescindível para a Bahia. “Mesmo com o momento de recessão pelo qual o estado passa, o governador Jaques Wagner teve a sensibilidade para entender que esta é uma obra estruturante para esta região. Serão investidos quase R$ 5 milhões, e serão abatidos 100 animais/dia. O equipamento que estamos trazendo para este município é de primeiro mundo e se adéqua à portaria nº 304 do Ministério da Agricultura”, disse Salles, agradecendo ainda o apoio do secretário de Planejamento Sérgio Gabrielle, dos senadores Walter Pinheiro e Lídice da Mata, e do deputado federal José Carlos Araújo.
 
O secretário ainda anunciou que outros investimentos estão previstos para Morro do Chapéu, a exemplo de um laticínio que será construído, mas os equipamentos já estão garantidos, e o centro de comercialização de animais, que é um desejo dos criadores da região. “Estamos trabalhando com projetos sustentáveis para toda zona rural no interior da Bahia, e todas as lideranças de Morro do Chapéu sonham com o funcionamento do Parque de Exposições do município”, pontuou.
 
Além de Morro do Chapéu, também já foram assinados contratos para a construção de abatedouros frigoríficos em Valença, Remanso e Bom Jesus da Lapa, com capacidade para abate de 100 animais/dia. Na semana passada também foram assinados contratos para a construção de nove outros abatedouros frigoríficos, com capacidade para 30/100 animais/dia nos municípios de Araci, Barra, Iguaí, Itaberaba, Itanhém, Medeiros Neto, Paramirim, Santa Rita de Cássia e Valente.
 
A cerimônia de assinatura contou com a presença de secretários municipais, vereadores, do deputado federal José Carlos Araújo, do presidente da Assopel, Odilésio José Gomes, dentre outros representantes de instituições locais.
 
Fonte:
Imprensa Seagri
Jornalista: Lívia Lemos/ 3461
Contato: (71) 3115-2794

Notícias

Secretário da Agricultura alerta que questões trabalhistas podem inviabilizar a cafeicultura na Bahia e no Brasil
 
Fotos: Aurelino Xavier
A burocratização das questões trabalhistas inviabiliza a atividade cafeeira no Brasil e na Bahia. Essa afirmação foi feita pelo secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, durante a palestra que marcou a abertura do VIII Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, com o tema “Atividade Cafeeira com Sustentabilidade e Inclusão Social”, nesta segunda-feira (25). Além de apresentar o panorama atual da situação da cafeicultura na Bahia, o secretário afirmou, com a experiência de quem foi diretor, vice-presidente, presidente por duas vezes da Assocafé e criador do concurso de cafés especiais na Bahia com grãos selecionados premiados nacionalmente e internacionalmente, que a sustentabilidade do setor cafeeiro está diretamente relacionada à questão trabalhista. “Tenho uma história dedicada à cafeicultura, participei dos grandes eventos nacionais e internacionais do café e conheço de perto as dificuldades enfrentadas pelos cafeicultores do Estado. A inclusão social passa pela deburocratização trabalhista. Muitas fazendas de café estão fechando por conta desse problema”, enfatizou.
 
O simpósio acontece num momento importante para os produtores de café do Brasil, em que o Conselho Monetário Nacional aprovou a renegociação e o adiamento do pagamento de dívidas de cafeicultores com vencimento entre julho de 2013 e junho do próximo ano, transferido para 2015. A medida, aprovada na última sexta-feira (22), está restrita aos produtores de café da variedade arábica e suas cooperativas. “É evidente que demos um passo importante, mas é um absurdo que o café conillon não tenha sido contemplado, porque essa variedade está passando por um momento muito complicado que precisa ser revertido”.
 
Eduardo Salles lembra que no período em que esteve à frente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), propôs o “Simples” para a cafeicultura, (regime tributário diferenciado semelhante ao aplicado em Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), sem perdas para trabalhadores e produtores. “Atualmente o trabalhador que recebe por produtividade atua na colheita de uma fazenda e vai migrando de uma para a outra de acordo com a remuneração. O objetivo é formalizar essa prática, fazendo com que o empregador possa recolher os recursos e encargos baseando-se no tempo trabalhado, sem precisar assinar a carteira do trabalhador apenas por alguns dias. Essa burocracia trabalhista faz com que os trabalhadores percam seus empregos”, disse Salles destacando que, a cafeicultura é uma das atividades que mais empregam na Bahia e no Brasil, mas para dar sustentabilidade ao setor é preciso desburocratizar a questão trabalhista, sem ferir os direitos do trabalhador. “Para isso é necessário o apoio dos deputados estaduais, federais e dos senadores empunhando essa bandeira, para que dessa maneira, avancemos nas questões trabalhistas”, afirmou.
Na condição de presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Agricultura (Conseagri), o secretário Eduardo Salles vai colocar em pauta, na próxima reunião de da entidade, no dia 6 de dezembro deste ano, durante a Fenagro, em Salvador, as condições trabalhistas na cafeicultura. “Vamos encaminhar ofícios aos deputados federais e senadores pleiteando questões como a desburocratização das condições trabalhistas, a inserção do Conillon na renegociação e o aumento do preço mínimo dessa variedade. “O preço mínimo do café arábica subiu e o do conillon permaneceu o mesmo, ficando muito abaixo do preço de produção, enfatizou Salles.
 
“A medida contempla apenas os produtores do café arábica, por conta dos grandes estoques do grão, com preços em queda há três anos. A situação do conillon é menos crítica, os estoques vêm se acumulando há dois meses. No entanto, temos atualmente os piores preços da história do café, na última atualização de preços feita pela Conab, o café arábica foi reajustado para R$ 307,00 a saca, e o conillon, que não sofreu reajuste, permaneceu com o valor de R$ 157,00 a saca ”, destacou o presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes, ressaltando que a renegociação num momento de crise é sempre bem recebida, mas ainda não é o suficiente.
 
Carta da Bahia
 
Diante da situação crítica enfrentada pela cafeicultura no Brasil e na Bahia, agravada pela estiagem prolongada que atinge o Estado, cafeicultores das regiões Sul e Extremo Sul e representantes do setor produtivo estiveram reunidos na Secretária de Relações Internacionais (Serin), para debater e estabelecer medidas emergenciais de superação desse momento difícil da produção.
 
As demandas levantadas foram documentadas e encaminhadas ao governador Jacques Wagner, que contatou de imediato os ministros da Agricultura e da Fazenda, para discutir o assunto. Ficou estabelecida também, uma reunião extraordinária da Câmara Setorial do Café, prevista para acontecer no dia 28 de novembro, para finalizar um documento denominado “Carta da Bahia”, contendo todas as reivindicações dos cafeicultores da Bahia, que será formalmente entregue pelo secretário Eduardo Salles, ao governador do Estado durante a Fenagro, no Parque de Exposições de Salvador.
 
Fonte:
Ascom Seagri – 26 de novembro de 2013
Jornalista: Viviane Cruz
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