quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cooperativismo



Órgãos não pesquisam cafezais do Oeste da Bahia, diz Marcos Alvarenga


Por Camila Cechinel

No Oeste da Bahia, região conhecida como "paraíso dos insetos", produtores sofrem com os ataques severos do bicho-mineiro, cuja principal consequência para a lavoura é de que as plantas perdem áreas consideráveis das folhas, tornando-as mais fracas e comprometendo a safra. Apesar de atualmente os agricultores estarem sabendo lidar com a praga, entre novembro e dezembro do ano passado houve proliferação em algumas propriedades, devido às condições climáticas favoráveis. 

Foto: Lucas Albin Agência Ophelia
                                  Foto: Lucas Albin Agência Ophelia 

De acordo com o Assistente Técnico de Café da Cooperativa Agropecuária do Oeste da Bahia (Cooproeste), Marcos Alvarenga, órgãos de pesquisa não investem em estudos sobre os cafezais do local, forçando os agricultores, junto com assistências técnicas, viabilizar o manejo de pragas e doenças. 

"Não temos pesquisas voltadas para o Oeste da Bahia. Teoricamente nossa área é pequena para a importância da cafeicultura nacional. Os produtores têm trocado informações para amenizar o ataque, mas isso aumenta o custo, com o uso de produtos específicos", disse Alvarenga em entrevista, por telefone, ao site Notícias Agrícolas

Apesar disso, e com a ajuda do controle preventivo, cerca de 50% da safra 2017/2018 de café arábica já foi colhida na região, uma vez que as chuvas estão regulares, não atrapalhando o andamento da colheita. Com um cenário bastante diferente de 2016 e cafés ganhando peso, há a expectativa que a safra corrente seja melhor que o esperado. 

"Na safra passada sofremos muito com rendimento, com produtores gastando, em média, 600 litros de café para fazer uma saca de 60 kg. Este ano, 480 litros fazem um saca. Estamos voltando a normalidade", comentou. 

No Oeste da Bahia, cerca de 13 mil hectares são cultivados. O café está presente em quatro municípios, sendo os mais importantes Barreiras, responsável por 41% dessa área plantada, e Luís Eduardo Magalhães, com 23%. "A região é bem extensa e uma propriedade é distante da outra. Tivemos muita florada, resultando em cafés diferentes que dificultaram o rendimento da colheita", disse o assessor, lembrando que o previsto, para o momento, era estar com 80% dos grãos retirados das plantações. 

Preços

Em relação aos valores das sacas de café nesta safra, Alvarenga afirma que elas devem ficar entre R$450,00 e R$460,00, preço próximo das demais regiões produtoras. Apesar de não ter, ainda, como prever a produtividade média, é esperado 35 sacas neste ciclo. 

"A margem é aparentemente baixa, mas é melhor do que ficar perdendo. A safra pendente, se ocorrer bem, vai ser bastante significativa, com média acima de 50 sacas por safra", finalizou. 

Assista a entrevista na íntegra:


Cooperativismo

Administração financeira em cooperativas: conjunção de aspectos econômicos e sociais



A administração das finanças de uma cooperativa envolve questões que vão além da busca pela rentabilidade e liquidez. Em sociedades de capital, esses elementos são de vital importância para garantia do sucesso do empreendimento, bem como em cooperativas. Entretanto, não basta que o negócio em si seja satisfatoriamente gerenciado, mas que seus integrantes usufruam dos benefícios gerados.

Nesse sentido, o administrador financeiro, em uma sociedade de pessoas, deve, além de garantir a sustentabilidade da organização, permitir que seus resultados possam, efetivamente, gerar crescimento às unidades administrativas individuais representadas pelos integrantes de seu quadro social.

Atendendo aos "clientes"

De acordo com o ramo da cooperativa, essa tarefa se torna ainda mais árdua. Nas de crédito, por exemplo, as principais receitas geradas são oriundas de taxas cobradas dos próprios associados, uma vez que, as mesmas não podem realizar operações de empréstimos/financiamentos com terceiros.

Assim, cabe à administração estipular políticas de precificação de ativos de forma a beneficiar seus "clientes" e, simultaneamente, garantir retornos adequados à estrutura de custos da instituição.

Por um lado, deve-se cobrar taxas de juros que proporcionem vantagens aos associados, ou seja, mais atrativas que as encontradas no mercado financeiro tradicional. Por outro, a entidade necessita acumular capital para disponibilizar maiores volumes de crédito e melhorar sua prestação de serviços.

Nas cooperativas de produção, embora os clientes não sejam, na prática da atividade comercial, seus proprietários, o dilema é semelhante. O quanto deve ser retido pela instituição para assegurar que o negócio progrida e o quanto deve ser repassado aos sócios? Gerar sobras expressivas, que poderão ser distribuídas ou mantidas como capital próprio, ou cobrar taxas apenas condizentes com a estrutura de custos?

Essas questões devem ser discutidas e a decisão a ser tomada passa pela análise dos elementos essenciais que compõem as finanças de uma cooperativa. É lógico que esse tipo de organização prima pela sua finalidade precípua de promoção do desenvolvimento econômico-social de seus integrantes.

Contudo, esse desenvolvimento não é pura e simplesmente alcançado com o repasse integral do resultado obtido. A própria prestação eficiente dos serviços disponibilizados pela cooperativa é meio para se chegar a tal objetivo.

Preservando a sustentabilidade do negócio

Nesse contexto, o negócio cooperativo deve ter condições de se auto-sustentar e de, atuando em mercados cada vez mais competitivos, enfrentar em condições satisfatórias seus mais diversos concorrentes.

Aliás, a concorrência não prima pelos mesmos princípios que regem o sistema cooperativista. Além disso, sua estrutura organizacional propicia maior agilidade no processo de decisão. 

Tudo isso faz com que seja essencial às cooperativas o processo de acumulação de capital, ou seja, que as mesmas possam fortalecer sua capacidade de investimento, sobretudo face às dificuldades de capitalização enfrentadas e já comentadas nesse espaço.

É por isso que cabe ao administrador financeiro buscar formas alternativas de garantir o desenvolvimento da instituição, em que pese o efeito adverso de, na visão de alguns, muitas vezes contrariar os princípios básicos do cooperativismo tradicional.

Ressalto o "na visão de alguns", pois há controvérsias sobre essa questão. Enquanto a adoção de práticas mais capitalistas no processo administrativo de uma cooperativa implica, de certa forma, em medidas severas na transação com cooperados, esse tipo de postura pode ser essencial para a sobrevivência da entidade.

Tratando os diferentes de forma diferente

Por exemplo, a diferenciação no pagamento aos associados por produtos com níveis de qualidade distintos pode ser entendida, a princípio, como discriminação em uma organização que prima pela prática democrática e igualitária.

Entretanto, tem como intuito garantir a colocação no mercado de produtos com elevado padrão de aceitação e confiabilidade por parte de seus consumidores. Além do mais, serve como estímulo para que os cooperados invistam, cada vez mais, na melhoria e eficiência de seus negócios.

Nesse ponto é que a cooperativa deve atuar para permitir que todo o quadro social tenha as mesmas condições de produzir bens com o nível de qualidade desejado. A assistência técnica, entre outras alternativas, deve ser priorizada e colocada à disposição de todos pela instituição, permitindo que o argumento da "discriminação" seja enfraquecido pelo oferecimento de meios para evitar a diferenciação no momento do pagamento pelos produtos entregues.

Essa é a função das cooperativas, permitir que os seus associados possam se desenvolver social e economicamente, e não praticar a distribuição de benefícios iguais àqueles que contribuem de forma diferenciada para a competitividade do empreendimento.

Nesse contexto, as finanças devem ser geridas de forma a garantir a continuidade sustentada do negócio cooperativo e, simultaneamente, contribuir para o crescimento dos negócios individuais dos cooperados, pois eles formam, em sua essência, a base sócio-econômica da instituição.

Enfim, o trabalho de administrar financeiramente esse tipo de sociedade de pessoas vai muito além daquele praticado em outras formas de organização. O conhecimento do cooperativismo e sua doutrina deve ser aliado à moderna gestão de valor para que os objetivos precípuos sejam alcançados da melhor forma.

A busca pelo equilíbrio financeiro deve ser orientada tanto pelo caráter social desse tipo de empreendimento quanto pela natureza econômica de suas atividades. Enquanto as cooperativas privilegiarem um dentre esses dois aspectos, muitos ainda serão os entraves ao seu desenvolvimento.

Logicamente, não é fácil conjugar essas duas características do cooperativismo no âmbito da administração financeira, entretanto, é de vital importância que se leve em consideração os vários elementos que as compõem.

Conclusão

Basear uma decisão de diferenciar ou não o pagamento por conta da qualidade do produto entregue em argumentos que privilegiem essa ou aquela temática é fechar os olhos às exigências de sobrevivência impostas pelo mercado ou não primar pelos preceitos enfatizados pela teoria e doutrina cooperativistas.

Essa decisão deve ser embasada na realidade prática do mercado em que atua a organização e, ao mesmo tempo, necessita ser acompanhada de medidas que permitam a todos os associados buscar padrões de excelência.

Mas esse é apenas um exemplo da dificuldade no processo de administração financeira enfrentada por um profissional ou pelo próprio corpo diretivo de uma cooperativa. Muitas outras decisões deverão ser baseadas em princípios sociais e econômicos que regem esse tipo de organização, sendo o equilíbrio entre os mesmos fator essencial para garantia do desenvolvimento sustentado.

https://www.cafepoint.com.br/radares-tecnicos/gerenciamento/administracao-financeira-em-cooperativas-conjuncao-de-aspectos-economicos-e-sociais-31724n.aspx 


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cooperativismo

Cooperativismo agropecuário e suas contribuições para o empoderamento dos agricultores familiares no submédio São Francisco: o caso da associação de produtores rurais do núcleo VI – Petrolina/PE


Resumo 

Este trabalho tem por objetivo apresentar os benefícios e as vantagens que as cooperativas agropecuárias podem trazer para o fortalecimento da agricultura familiar, em especial dos agricultores da Associação de Produtores Rurais do Núcleo VI (APRNVI), no municí- pio de Petrolina/PE. No que se refere aos procedimentos metodológicos, foi realizada coleta de dados por meio de levantamento bibliográfico e de pesquisa de campo empreendida no período de março a maio de 2011, mediante aplicação de questionários estruturados com a totalidade dos associados vinculados à associação objeto deste estudo. Os resultados da pesquisa apontam que a constituição de uma cooperativa trará benefícios para seus cooperados, atuando como elemento de transformação social, contribuindo para promover o desenvolvimento local com base na geração de renda e mitigando a exclusão social. Palavras-chave: Agricultura familiar. Cooperativismo. Desenvolvimento local.

http://cepeac.upf.br/images/stories/revista_tee_ano19_n40_2013.pdf

landwirtschaftliche Genossenschaften und ihre Beiträge zur Stärkung der Rolle der Familie Landwirte in der San submedium Francisco: der Fall der Vereinigung des Landwirts im Kern VI - Petro / PE

Zusammenfassung
Dieses Papier zielt darauf ab, den Nutzen nd die Vorteile, die Genossenschaften zu präsentieren
Landwirtschaft kann zur Stärkung der Familie der Landwirtschaft bringen, vor allem
pio de Petro / PE. Wie die methodischen Verfahren anbetrifft, so wurde das Erheben
Bauern der Farmer Association of VI Zentrum (APRNVI), die kommunalen
Daten über eine Literaturübersicht und Feldforschung durchgeführt
Punkt der Forschung, die die Einrichtung einer Genossenschaft ihres profitieren
von März bis Mai 2011 durch strukturierte Fragebogen mit der Gesamtheit des Vereins verwandtes Ziel dieser Studie verbunden. Ergebnisse Stichwort: Familie Landwirtschaft. Genossenschaftswesen. lokale Entwicklung. Mitglieder, die als soziales Transformationselement, zu fördern helfen lokale Entwicklung auf Basis von Einkommensmöglichkeiten und soziale Ausgrenzung zu mildern.
http://cepeac.upf.br/images/stories/revista_tee_ano19_n40_2013.pdf
Agricultural cooperative and their contributions to the empowerment of family farmers in submedio San Francisco: the case of association of farmers core VI – Petrolina/PE

ABSTRACT

This work aims to present the benefits and advantages that agricultural cooperatives can bring to the strengthening of family farming, in particular, the farmers of the Association of Rural Producers Core VI (APRNVI) the city of Petrolina/PE. Regarding the methodological procedures, data collection was carried out through literature review and fieldresearch conducted in the period March-May 2011, through structured questionnaires with all the associated linked to the association object of this study. The survey results indicate that the formation of a cooperative will benefit its members, acting as an element of social transformation, helping to promote local development through income generation and alleviating social exclusion. Key words: Agriculture family. Cooperatives. Local development.

Acess: http://cepeac.upf.br/images/stories/revista_tee_ano19_n40_2013.pdf



Solidarity Economics

Solidary Economy as an alternative and criticism of capitalism

By Marcelo Inácio de Sousa

We are living a crucial moment of humanity, where we build a system of values and beliefs, based on oppression, war and tyranny, both between humans and between these and all other beings that inhabit the planet earth. We have called this system of capitalism.

Understanding a little better, let's force the words: capitalism is a masculine noun. The word capital comes from the Latin capitale, derived from capitalis (with the meaning of "principal, first, chief"), and comes from the proto-Indo-European kaput meaning "head." It names a socioeconomic system based on the legitimation of the private appropriation of everything that is considered goods and the unrestricted freedom of commerce and industry, its main objective is the accumulation of wealth.

In this system, centrality is in the individual possession of the "head" of the chief, in a clearly patriarchal, hierarchical, oppressive vision. This visualizes all its surroundings, as possible goods, things, that can be appropriate for the promotion of profit maximization, in that sense, it is part of the system to relate to the planet (humans, animals, rivers, soil, mountains, plants Or the planet itself) as things, goods that must be rationally traded in the market, generating more profit and accumulation.

This system values ​​and promotes competition, dispute, struggle, oppressive hierarchies, command, authoritarianism, blind obedience to the boss, power, appropriation of resources, destruction, death and fear and therefore war , Because these are a structuring part of the system itself and from where it feeds.

Capitalism generates human beings, mediocre, fearful, cowardly and childlike, limits critical and libertarian thinking, imposes oppression on women, children, the arts, and literature.
In contrast, we understand that Economia is a feminine noun, the element "echo" comes from the Greek oikos and means "house, home, domicile, environment". In its origin, therefore, Economics is the art of managing the home + Solidary, which in turn is an adjective, also feminine, comes from the French SOLIDAIRE, "interdependent, complete, whole" and from Latin SOLIDUS, "firm, Complete "that adds, qualifies the noun Economics.

Solidarity Economy is constituted by principles and practices based on interdependent, solid and haughty relationships of collaboration, exchanges and sharing, based on a matrilineal principle

Solidary Economy, then, is constituted by principles and practices based on interdependent, solid and haughty relationships of collaboration, exchange and sharing, based on a matrilineal principle, where relations between human beings must be fundamentally horizontal, based on the recognition of the other person as Part of me and the whole. These practices in turn are inspired by cultural values ​​that place care with the common home, therefore with life in all its dimensions, expressions and forms and the promotion of happiness of the human person and its collectivities as subjects and purpose of the activity Economic, cultural and political.

The Solidarity Economy seeks different and antagonistic bases to capitalism, is not based on accumulation, but on the care of the planet and all the beings that inhabit it, in the perpetuation of the conditions to generate life and this requires the conscientiousness, creativity and responsibility of the Individuals and solidarity among citizens, who recognize themselves as part and not traders of nature and who with and between them are in total connection and interdependence.

The Solidarity Economy is also a propeller of an endogenous (de) involvement, coming from the needs of human communities, in frank and direct dialogue, where the definition of what to produce comes from the real needs of the planet and all Creatures, where production, distribution, finance and consumption are responsible and contextualized actions.

But it is important to be alert: the militant and purposeful force of the Solidarity Economy can not be enough in itself, it can not be only in the world of ideas, in fundamentalisms, sad and rancorous, that are poisoned by the small, Sick people in closed groups of militants (¹), where weak and weak people meet only to create intrigue, to point out defects of each other, to complain and to mourn, struggling ardently to know who owns the reason, or who owns them Of the Solidarity Economy, in anthropophagic action consume themselves, push away who could reach, add and enrich the debate. I say: this is not solidarity economy, it does not promote good living and actually serves the Capitalist project.

It takes courage to go beyond, to break the common place, which is already given, to become practice and praxis. To be a space that generates happiness, beauty, lightness, hope, place of ethics, aesthetics, poetics and also pathetic.

The Solidarity Economy does not form with dependent, fragile and weak people. But with women and men, young and old, children and adolescents, of all races and creeds, aware of their role in the world

to their collective, have the courage to look forward and respect and try to understand their differences and conflicts by making these their strength, recreate reinvent the ways and meanings of work, products and services generated, community life, build autonomous communities and proud , Determined and propositive for all fields of human action, based on the principles of care and full life.

Solidarity Economy, at this historical moment, I consider as a front of resistance, a possible counterpoint, against the impositions of the capitalist system, which tries ever more fiercely to turn everything into merchandise, even the commodification of relations, the threat of destruction of the planet in More than 23 different simultaneous forms. The Solidarity Economy must be hand in hand and in tune with other social movements, pointing out the urgent need for another non-capitalist paradigm, which promotes a healthy and caring society.

Therefore, the very existence and necessity of a care economy comes from the fact that the capitalist economy does not meet, does not fulfill the needs of life, the subjects and the planet, on the contrary puts this at risk. The Solidary Economy necessarily goes beyond criticism, because it brings in its core, at its core, a proposal for reflection, action, reflection.

Many initiatives that make us savor the society of our dreams are already in practice, based on a new logic, far from the capitalist model, are community organizations in ecovillages, urban occupations, agroecological production, biodynamics, permaculture, organic fairs, Social banks, networks and productive chains. These spaces seek the exercise of a direct and non-representative democracy, far beyond a productive category. This perspective is generating new conceptions and forms of school, spirituality, relationship with time, work and even redefining the real human needs and pointing to new ways of doing politics focused on ethical and responsible values ​​and a Life.

We are born to be cared for and cared for, and as evolving beings we can learn more and more the dimension of the word AMAR. Not only as a melancholy feeling, but as a regular verb, transitive direct. While verb requires action. Not just contemplation, or false passivity.

In this way Solidary Economy becomes not only a criticism, but truly an antithesis of capitalism.

"Economy is every day and our life is not merchandise"

Fonte: http://cirandas.net/fbes/economia-solidaria-no-brasil/economia-solidaria-como-alternativa-e-critica-ao-capitalismo

Economia Solidária

Economia Solidária como alternativa e crítica ao capitalismo



Estamos vivendo um momento crucial da humanidade, onde construímos um sistema de valores e crenças, baseado na opressão, na guerra e na tirania, tanto entre os seres humanos quanto entre estes e todos os demais seres que habitam o planeta terra. Temos chamado este sistema de capitalismo.
Compreendendo um pouco melhor, vamos a força das palavras: capitalismo é um substantivo masculino. A palavra capital vem do latim capitale, derivado de capitalis (com o sentido de "principal, primeiro, chefe"), e vem do proto-indo-europeu kaput significando "cabeça". Este, nomeia um sistema socioeconômico tendo como base a legitimação da apropriação privada de tudo que é considera bens e a irrestrita liberdade do comércio e da indústria, seu principal objetivo é a acumulação de riquezas.
Neste sistema, a centralidade está na posse individual do "cabeça", do chefe, numa visão claramente patriarcal, hierárquica opressora. Este visualiza todo o seu entorno, como possíveis bens, coisas, que podem ser apropriadas para a promoção da maximização do lucro, nesse sentido, faz parte do sistema se relacionar com o planeta (seres humanos, bichos, rios, solo, montanhas, plantas ou o próprio planeta) como coisas, mercadorias que devem ser racionalmente negociadas no mercado, gerando cada vez mais lucro e acumulação.
Este sistema valoriza e promove a competição, a disputa, a luta, as hierarquias opressoras, o mando, o autoritarismo, a obediência cega ao chefe, ao poder, a apropriação de recursos, a destruição, a morte e o medo e portanto a guerra, pois estes são parte estruturante do próprio sistema e de onde ele se alimenta.
O capitalismo gera seres humanos, medíocres, medrosos, covardes e infantilizados, limita o pensamento crítico e libertário, impõe a opressão as mulheres, as crianças, as artes e a literatura.
Em contraponto, entendemos que Economia é um substantivo feminino, o elemento "eco" vem do grego oikos e significa "casa, lar, domicílio, meio ambiente". Na sua origem, portanto, Economia é a arte de bem administrar a casa + Solidária que é por sua vez um adjetivo, também feminino, vem do Francês SOLIDAIRE, "interdependente, completo, inteiro" e do Latim SOLIDUS, "firme, inteira, completa" que acrescenta, qualifica o substantivo Economia.
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Economia Solidária se constitui por princípios e práticas fundadas em relações interdependentes, sólidas e altivas de colaboração, trocas e partilhas, apoiadas em um princípio matrilinear

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Então, Economia Solidária se constitui por princípios e práticas fundadas em relações interdependentes, sólidas e altivas de colaboração, trocas e partilhas, apoiadas em um princípio matrilinear, onde as relações entre os seres humanos deve ser fundamentalmente horizontais, fundadas no reconhecimento da outra pessoa como parte de mim e do todo. Estas práticas por sua vez são inspiradas por valores culturais que colocam o cuidado com a casa comum, portanto com a vida em todas as suas dimensões, expressões e formas e a promoção da felicidade da pessoa humana e suas coletividades, como sujeitos e finalidade da atividade econômica, cultural e política.
A Economia Solidária busca bases diferentes e antagônicas ao capitalismo, não se baseia na acumulação, mas no cuidado com o planeta e todos os seres que nele habitam, na perpetuação das condições para gerar vida e isto requer a tomada de consciência, criatividade e responsabilidade dos indivíduos e a solidariedade entre os cidadãos e cidadãs, que se reconhecem como parte e não comerciantes da natureza e que com ela e entre ela está em total conexão e interdependência.
A Economia Solidária se coloca também como propulsora de um (des)envolvimento endógeno, vindo a partir das necessidades das comunidades humanas, no diálogo franco e direto, onde a definição do que produzir, vem a partir das necessidades reais também do planeta e todas as criaturas, onde a produção, a distribuição, as finanças e o consumo são ações responsáveis e contextualizadas.
Mas, é importante ficar alerta: a força militante e propositiva da Economia Solidária não pode se bastar em si mesma, não pode ficar somente no mundo das ideias, em fundamentalismos, tristes e rancorosos, que se envenenam com a disputa pequena, cada vez mais adoecidos em grupos fechados de militontos (¹), onde pessoas fracas e débeis se encontram somente para criar intriga, apontar defeitos uns dos outros, para reclamar e se lamentar, debatendo ardorosamente para saber quem é do dono da razão, ou quem são os donos da Economia Solidária, numa ação antropofágica se consomem a si mesmos, afastam quem poderia chegar, somar e enriquecer o debate. Afirmo: isto não é economia solidária, não promove o bem viver e na verdade serve ao projeto Capitalista.
É preciso ter coragem para ir além, romper o lugar comum, o que já está dado, se tornar prática e práxis. Ser espaço gerador de felicidade, beleza, leveza, esperança, lugar da ética, da estética, da poética e também da patética.
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A Economia Solidária não se forma com pessoas dependentes, frágeis e débeis. Mas, com mulheres e homens, jovens e velhos, crianças e adolescentes, de todas as raças e credos, conscientes do seu papel no mundo

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A Economia Solidária não se forma com pessoas dependentes, frágeis e débeis. Mas, com mulheres e homens, jovens e velhos, crianças e adolescentes, de todas as raças e credos, conscientes do seu papel no mundo, seres políticos, que estrategicamente se colocam, se questionam, se auto organizam, não esperam por projetos ou políticas externas aos seus coletivos, tem a coragem de olhar de frente e respeitam e tentam compreender suas diferenças e conflitos fazendo destas sua força, recriam reinventam as maneiras e significados do trabalho, dos produtos e serviços gerados, da vida comunitária, constroem comunidades autônomas e altivas, determinadas e propositivas para todos os campos da ação humana, baseados nos princípios do cuidado e da vida plena.
Economia Solidária, neste momento histórico, considero como um fronte de resistência, um possível contraponto, frente às imposições do sistema capitalista, que tenta cada vez mais ferozmente transformar tudo em mercadoria, até mesmo a mercantilização das relações, a ameaça de destruição do planeta em mais de 23 diferentes formas simultâneas. A Economia Solidária deverá estar de mãos dadas e em sintonia com outros movimentos sociais, apontando a necessidade urgente de um outro paradigma não capitalista, que promova uma sociedade cuidadora e saudável.
Portanto, a própria existência e a necessidade de uma economia do cuidado, vem do fato que a economia capitalista não atende, não preenche as necessidades da vida, dos sujeitos e do planeta, ao contrário coloca este em risco. A Economia Solidária, necessariamente vai mais além da crítica, pois traz no seu bojo, no seu âmago, uma proposta de reflexão, ação, reflexão.
Muitas iniciativas que nos fazem saborear a sociedade dos nossos sonhos já estão em prática, baseadas em uma nova lógica, distante do modelo capitalista, são organizações comunitárias em ecovilas, ocupações urbanas, produção agroecológica, biodinâmica, permacultura, feiras orgânicas, lojas solidárias, fundos rotativos, bancos comunitários com moeda social, redes e cadeias produtivas. Nestes espaços se busca o exercício de uma democracia direta e não representativa, muito além de uma categoria produtiva. Esta perspectiva está gerando novas concepções e formas da escola, de espiritualidade, de relação com o tempo, com o trabalho e até mesmo redefinindo as reais necessidades humanas e apontando para novas forma de se fazer política voltadas a valores éticos e responsáveis e uma economia da vida verdadeira.
Nascemos para sermos cuidados e cuidadores, e podemos enquanto seres em evolução aprender cada vez mais a dimensão do verbo AMAR. Não somente como um sentimento melancólico, mas como um verbo regular, transitivo direto. Enquanto verbo exige ação. Não tão somente contemplação, ou falsa passividade.
Desta maneira a Economia Solidária se transforma não somente numa crítica, mas verdadeiramente uma antítese do capitalismo.

"Economia é todo dia e a nossa vida não é mercadoria"


terça-feira, 6 de junho de 2017

Cooperativismo



TOCANTINENSES CONHECEM EXPERIÊNCIAS COOPERATIVISTAS EM SANTA CATARINA

Florianópolis (5/6/17) – Um grupo formado por representantes do Sescoop/TO, Sebrae Tocantins, Cooperativa Agroindustrial Norte do Tocantins (Agrivita), Associação dos Avicultores do Norte do Tocantins (Avinto) e produtores de aves, esteve no oeste de Santa Catarina, na última semana, para conhecer a experiência cooperativista da região e o “Encadeamento Produtivo: Aurora Alimentos – Sebrae/SC: suínos, aves e leite”.
Acompanhada pela equipe do Sebrae Santa Catarina, a comitiva visitou a Embrapa, a Copérdia e uma propriedade rural, em Concórdia, além de participar de reunião com a diretoria da Aurora, na matriz em Chapecó, e conhecer a Ferticel, em São Carlos.
A comitiva representou a região do Bico do Papagaio, situada no extremo norte do Tocantins e sul do Maranhão, formada por 25 municípios. A região tem duas integradoras com capacidade de produção de mais de 6 milhões de frango e, no momento, está passando por déficit nos aviários de mais de 50%. Situada próxima à área de grandes produtoras de grãos, conta com a ferrovia norte/sul, está perto da hidrovia Tocantins/Araguaia, da BR 153 em Brasília, além da Transamazônica.
Em março de 2016 iniciou as atividades da Agrivita, sediada em Tocantinópolis, e que atualmente conta com 25 cooperados. A iniciativa surgiu para atender todos os setores do agronegócio, visando desenvolver o setor por meio do cooperativismo. “Para obtermos melhores resultados viemos conhecer a experiência cooperativista de Santa Catarina e apresentar o potencial de nossa região”, destacou o presidente da Agrivita, Edson Negreiros Lima, que avaliou como positiva a missão.
“Observamos que a cultura daqui é diferente de nossa região. As pessoas estão bem inseridas no cooperativismo, o que é visto como uma grande família, ou seja, uma pessoa ajuda a outra. É esse espírito que queremos para nossa região”, afirmou. 
A prefeita de Palmeiras do Tocantins, Erinalva Alves Braga, que representou os demais gestores municipais do Bico do Papagaio, complementou que a região norte do Tocantins tem produção considerável no setor avícola. “Nossa intenção é fortalecer ainda mais o segmento e, consequentemente, pensar na instalação de uma indústria de fertilizantes, aproveitando essa matéria-prima, buscando a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida de nossa região”.
Para ela, conhecer as cooperativas e os projetos desenvolvidos no oeste catarinense oportunizou uma vasta bagagem de novos conhecimentos sobre alternativas e modelos de negócios que deram certo e ganham espaço no setor.
O analista técnico da coordenadoria regional Bico do Papagaio do Sebrae/TO, André Luiz Naves Rocha, enfatizou que o intuito foi internalizar o cooperativismo. “Não temos essa modalidade que aqui funciona muito bem. Nossa missão primordial é ver como funciona para que possamos redimensionar essa atividade que tem grande expressividade em nossa região. Estamos impressionados por perceber como o espírito cooperativo faz a diferença e, Tocantins, como um Estado novo, deve adotar essa prática visto que temos uma fatia de pequenos produtores que precisam estar organizados para se manter no mercado”, finalizou.
AURORA
Acompanhados pelo coordenador regional oeste do Sebrae/SC, Enio Albérto Parmeggiani, pela gestora local do Encadeamento Joselita Tedesco e pela consultora credenciada Beatriz Silveira, o grupo de Tocantins visitou a cooperativa Central Aurora Alimentos. Lá, foram recebidos pelos diretores Mário Lanznaster (presidente), Neivor Canton (vice-presidente) e Marcos Antonio Zordan (diretor de agropecuária) e conheceram a estrutura do terceiro maior conglomerado industrial do setor de carnes do Brasil.
A Aurora conta com 26.649 colaboradores diretos, além das 72.203 famílias rurais cooperadas no campo e os 9.580 colaboradores das 13 cooperativas agropecuárias que a constituem. É âncora do maior projeto voltado ao agronegócio do País, o “Encadeamento Produtivo: Aurora Alimentos – Sebrae/SC: suínos, aves e leite”, que iniciou em 1998, denominado na época de Programa de Desenvolvimento de Empreendedores Rurais Cooperativistas. A iniciativa beneficiou mais de 35 mil produtores rurais.
Lanznaster destacou o êxito do programa ao comentar que a produtividade melhorou expressivamente e a qualidade dos produtos é uma das prioridades. “No sistema cooperativo é fácil falar de Encadeamento Produtivo porque o dono da cooperativa são os produtores rurais. Eles aceitam com facilidade e vão adiante. Isso é muito positivo porque as regiões que atuam com o sistema cooperativo se diferenciam no campo. Os produtores rurais aceitam melhor a tecnologia e as recomendações dos técnicos. Isso é positivo porque as famílias evoluem, a propriedade fica mais receptiva, mais acolhedora e organizada. Os filhos desses associados veem uma oportunidade de permanecerem no campo porque percebem que há futuro”, comentou.
Parmeggiani realçou que o sucesso do cooperativismo no segmento do agronegócio no oeste de Santa Catarina é resultado de um trabalho intenso das cooperativas e entidades ligadas ao setor. “Entre as ações que consolidaram o segmento está o Encadeamento Produtivo, que deu certo porque o que se propôs na essência continua acontecendo. Não temos notícia de outro programa que se propagou e que tenha promovido o desenvolvimento e a transformação em resultados. Realmente a solução permite preparar os pequenos negócios para elevar o nível de competitividade no contexto das cadeias produtivas”, avaliou.



(Fonte: Aurora)

Cooperativismo

CMN aprova resolução sobre o credenciamento parcial dos prestadores de serviço de auditoria cooperativa

O LIDE – Grupo de Líderes Empresariais e o LIDE Goiás realizam em 9 de junho, em Goiânia (GO), o 5º Fórum Brasileiro da Indústria de Alimentos, ocasião em que será entregue o Prêmio LIDE da Indústria de Alimentos 2017  a empresas de destaque no campo da alimentação.
Nesta edição, o prêmio contemplará as organizações Jalles Machado e Nutriza Alimentos, na categoria Desenvolvimento de Canais de Distribuição. Na categoria Eficiência em Comunicação e Marketing, as premiadas serão a Laticínios Piracanjuba, Aurora Alimentos e 3 Corações. Também serão contempladas empresas na categoria Inovação e Tecnologia em Produtos, onde as vencedoras foram a Raízen e a Cobb-Vantress. À São Salvador Alimentos será outorgado o prêmio da categoria de Indústria Exportadora. Finalmente, como destaque do ano, será premiado o presidente da SLC, Eduardo Logemann.
Fonte: http://www.mundocoop.com.br/destaque/aurora-esta-entre-premiadas-forum-brasileiro-da-industria-de-alimentos-lide.html