domingo, 6 de maio de 2012

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Estímulo monetário para levantar a economia

O Banco Central do governo Dilma não é previsível, muda o discurso com mais frequência do que o esperado, é sensível ao ritmo de crescimento e tem a favor do alívio monetário, que colocou em marcha em agosto do ano passado, a vagarosa reaceleração da atividade, que segue condicionada à economia internacional. A partir do momento em que o governo tira o entrave institucional para queda maior da taxa de juro – a estrutura original de remuneração da caderneta de poupança – o BC ganha espaço para dar mais estímulo monetário à economia.

“O BC pode cortar o juro mais fortemente e mais rapidamente nesse novo cenário”, explica credenciado interlocutor do blog Casa das Caldeiras. “O BC sinalizou, por meio de pesquisas feitas ao mercado, que vê a taxa neutra de juro próxima a 4,5%. Tomando esse parâmetro, o estímulo monetário efetivo da prática de juros menores está ocorrendo há poucos meses. E isso autoriza o BC a ir mais fundo com a política monetária ajudando a levantar a economia”, completa a fonte, que não vê a menor chance de a presidente Dilma Rousseff se conformar com a taxa Selic estacionando em 8,5%, após mexer na caderneta de poupança.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Consultores Associados, considera “clara” a sinalização de Selic mais baixa, devendo chegar a 8% até o fim do primeiro semestre. E também não descarta percentual menor. “Não me parece tolice acreditar que podemos entrar no segundo semestre com Selic inferior a 8%. Tudo vai depender do crescimento. Como até lá os indicadores continuarão ruins – e com a produção industrial de março mostrando a dificuldade de se sustentar crescimento do PIB de 3% esse ano –, o cenário de Selic indo para 7,5% não parece fora de propósito. Por enquanto ficamos com 8% no fim do ano, mas com a pulga atrás da orelha que deverá ser ainda menos. E veja que nem toquei em inflação, um mero detalhe em toda essa discussão”, explica.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, mantém sua projeção de Selic a 8,75% em dezembro, se não houver mudança que justifique esse percentual logo mais – a exemplo da anunciada nesta quinta-feira. De bate pronto, o economista avalia que a Selic pode ir até 8%. Gonçalves reconhece a necessidade de o governo eliminar uma taxa de juros nominal fixa, mas lembra que outras providências são relevantes. E chama atenção para as Letras Financeiras do Tesouro, que rendem praticamente a Selic, e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. “Se o dilema do BC for entre reduzir a Selic e criar um problema para o Tesouro e a Caixa Econômica Federal (gestora do FGTS), penso que mexer na poupança é um passo importante e necessário. Mas não é suficiente para resolver os problemas.”

Tony Volpon, diretor de pesquisa para América Latina da Nomura Securities, não descarta a possibilidade de a Selic cair até o patamar de 7% ao ano. Ele também argumenta que a presidente Dilma não deve querer arcar com o elevado custo político de levar a mudança da poupança à aprovação no Congresso sem juro menor no pipeline.

Notícias

Rentabilidade da nova poupança será a da Selic no dia da aplicação

BRASÍLIA - Com a nova regra de remuneração da caderneta de poupança, a rentabilidade mensal será calculada com base na taxa básica de juros (Selic) que estiver vigorando no dia em que a aplicação foi feita, segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Ou seja, não será considerada a Selic diária acumulada em 30 dias.

O objetivo é garantir que a caderneta de poupança continue sendo de fácil compreensão, pois o cliente poderá calcular qual será o retorno do investimento em 30 dias, mesmo que a Selic seja alterada pelo Banco Central (BC) no meio do caminho.

Por exemplo, se uma conta de poupança fosse aberta hoje, com a Selic atual de 9% ao ano, a remuneração em 30 dias seria mantida em 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR). Porém, se a Selic estivesse a 8,5% ao ano, o retorno ao cliente seria equivalente a 70% da Selic mais TR, mesmo que com mudanças na taxa básica de juros. Ou seja, os ajustes na rentabilidade serão feitos apenas na data de aniversário da poupança.

Nesta quinta-feira, o governo anunciou a alteração da rentabilidade da caderneta de poupança para viabilizar a continuidade da queda da Selic no país. A remuneração fixa da caderneta de poupança (6,17% ao ano), num cenário de juros mais baixos, estava se tornando mais atraente que outras aplicações financeiras. Isso poderia provocar uma migração dos investidores de fundos de investimentos para a poupança, onde não há incidência de Imposto de Renda (IR) e taxa de administração.

Pelas novas regras da poupança, que começaram a vigorar nesta sexta-feira, se a taxa básica de juros atingir patamar igual ou inferior a 8,5% ao ano, a rentabilidade será de 70% da Selic mais a TR. Já se ficar acima desse patamar, a remuneração será mantida em 0,5% ao mês mais TR. A mudança na remuneração da poupança foi feita por meio da medida provisória nº 567, publicada ontem em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Cooperativismo

Cooperja capitaliza sobras e devolve o Capital Social

A Cooperja capitalizou as sobras de 2011 entre seus associados. Porém, neste ano, por decisão da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 20 de março de 2012, será devolvido integralmente o capital social daqueles que completarem 60 anos de idade e forem associados à Cooperja há 10 anos ou mais. Após isso, a cada dois anos, o associado receberá o seu capital social.

Em 2012, a Cooperja irá capitalizar mais R$ 1,40 por saco de arroz depositado dentro da cota; R$ 1,48 por saco de semente comprada; e R$ 1,04 por caixa de maracujá. Nas lojas agropecuárias, a devolução será de 4,63% e, nos supermercados da rede Cooperja, de 6,23% nas compras realizadas. Os valores e o percentual de devoluções por unidade de negócio da Cooperja, estará disponível em todas as filiais da Cooperativa.

A meta da cooperativa com a capitalização, de acordo com seu presidente, Vanir Zanatta, “é criar uma poupança, para que aos 60 anos os cooperados possam dela desfrutar, pois, acumulando, rende mais. Se receber anualmente acaba desaparecendo. E com esses recursos, a Cooperativa depende menos dos bancos para atender o associado”, declara Zanatta.

A primeira entrega capital social será realizada no dia 16 de maio, às 8h, para 51 associados que completaram 60 anos nos meses de janeiro e fevereiro e que aniversariam em maio.

Notícias

Evite migrar da antiga para a nova poupança

As regras da nova caderneta de poupança limitam os ganhos dos aplicadores em 70% da taxa Selic, livre de impostos, caso a taxa básica de juro caia para menos de 8,5% ao ano. Para fazer uma comparação direta com as demais aplicações financeiras, que recolhem 20% de Imposto de Renda (IR) no prazo de um ano, é preciso ajustar as taxas para a mesma base de comparação.

Uma aplicação que rende 87% da Selic e está sujeita ao IR de 20% sobre os ganhos produz rendimento líquido para o investidor de 70% da Selic. Logo, a rentabilidade de 70% da Selic livre de imposto da nova poupança é equivalente ao ganho bruto nas demais aplicações financeiras de 87% da Selic.
O gráfico abaixo mostra que o rendimento da antiga poupança, calculado pelo critério de rentabilidade bruta, supera 80% da Selic desde 2007, conforme as informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda.
Hoje, com a taxa básica de juros em 9% ao ano, o ganho da antiga poupança subiu para aproximadamente 90% da Selic, pelo critério de rentabilidade bruta. E deve aumentar. Se a inflação não subir e o Banco Central conseguir cortar os juros para 6% ao ano, por exemplo, o rendimento irá atingir 130% da Selic. A nova poupança, por sua vez, continuará pagando 87% da Selic.

A rentabilidade atual da antiga poupança já supera metade dos fundos conservadores disponíveis para todos os investidores e, se os juros caírem mais, a vantagem comparativa aumenta. A nova poupança deverá ser melhor do que 30% dos fundos conservadores. Portanto, vale a pena evitar a nova poupança e manter os recursos na antiga.

O problema será administrar o orçamento para evitar sacar os recursos poupados. A opção de recorrer aos financiamentos bancários para cobrir eventuais necessidades de caixa deve ser descartada, devido aos juros ainda punitivos. Não será tarefa fácil para a maioria dos quase 100 milhões de aplicadores na poupança.

De acordo com o último censo sobre créditos garantidos preparado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), 78% das contas de poupança possuíam saldo de até R$ 2 mil. Desse número, dois terços pertenciam a aplicadores com saldo inferior a R$ 100.

É provável que no prazo de seis meses a grande maioria desses 78 milhões poupadores irá precisar sacar seus recursos da poupança antiga para cobrir alguma lacuna do seu orçamento. Quando conseguirem economizar recursos novamente, a única saída será investir de acordo com as regras novas, menos vantajosas.

Situação diferente deverão enfrentar os pouco mais de sete mil aplicadores, que representam menos de um centésimo do total de contas, mas que possuem saldo superior a R$ 1 milhão depositados na caderneta. Para esses, o esforço a ser empreendido para manter os recursos investidos na antiga poupança deverá ser menor. Consequentemente, poderão aproveitar as melhores condições oferecidas pela antiga regra por mais tempo.

De qualquer forma, desde que o BC efetivamente reduza a taxa básica de juros, a melhor alternativa para todos os atuais poupadores é adiar o máximo possível os saques na caderneta.

sábado, 5 de maio de 2012

Cooperativismo

Sescoop/PE premia vencedores do 1º Prêmio de Jornalismo Cooperativista

Sescoop/PE premia vencedores do 1º Prêmio de Jornalismo CooperativistaO evento aconteceu na quarta-feira (25/04) e abriu os trabalhos da AGO da OCB/PE. Estiveram presentes à mesa de abertura, para a celebração, o presidente do Sistema OCB-Sescoop/PE, Malaquias Ancelmo de Oliveira, a jornalista Graça Prado, representando o Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, parceiro do prêmio, o jornalista Arijaldo Carvalho, o vice-presidente da OCB/PE para o Ramo Agropecuário, Elenildo Arraes, e Anayra Maltez, presidente da Uniodonto Recife e membro do Conselho de Administração do Sescoop/PE.

No início dos trabalhos, o presidente falou sobre a importância do prêmio, uma iniciativa que já é adotada por outras unidades do Sescoop no País, e que tem o objetivo de valorizar e estimular a produção de matérias jornalísticas sobre o cooperativismo pernambucano. O resultado foi publicado na última sexta-feira (20 de abril), no Diário Oficial da União, e está disponível também no hotsite pernambucocooperativo.coop.br/premio. No evento, o vencedor de cada categoria recebeu um troféu alusivo, além de fazer jus a um prêmio em dinheiro no valor de R$ 3.000,00, a ser depositado em conta.

A primeira a receber o troféu, uma réplica da marca do prêmio, entregue por Elenildo Arraes, foi a jornalista Vanessa Cortez, que produziu a matéria “Crescimento do cooperativismo em Pernambuco”, veiculada na TV Jornal, em 19 de agosto de 2011. “Inicialmente, procuramos mostrar o que é uma cooperativa, para que serve e como funciona, já que muita gente ainda não conhece e nós, como jornalistas, temos o papel de mostrar”, afirmou. A reportagem, que contou com a participação de Demétrio Araújo, responsável pelas imagens, e com a repórter Fabiana Maranhão, focou o papel social e econômico das cooperativas, tomando como exemplo uma cooperativa de panificadores, cujos cooperados se unem para comprar insumos mais baratos. “Devemos sempre partir do princípio de que nem todo mundo sabe de tudo e, muitas vezes, as pessoas tem boas ideias, tem bons negócios, mas elas não sabem como se juntar para fazer a proposta deslanchar. Nesse contexto, o cooperativismo é uma boa saída.”, concluiu.

Monaliza Brito, vencedora da categoria Mídia Impressa, que inclui jornais e revistas, conquistou o 1º lugar do prêmio com a matéria “Ex-ministro prevê o Brasil liderando o cooperativismo mundial”, publicada na edição de agosto de 2011 da revista Movimentto. O prêmio foi entregue pela superintendente da OCB/PE e do Sescoop/PE, Cleonice Pedrosa. A jornalista também falou sobre o processo de desenvolvimento da matéria: “Na época, recebi um convite do editor da revista para cobrir o evento da visita do ministro Roberto Rodrigues ao Recife, que iria falar justamente sobre o tema do cooperativismo. Fomos conferir o que ele tinha para falar e acabamos achando o tema muito interessante, o que acabou rendendo uma matéria bacana” afirmou. A vencedora acredita que é importante os jornalistas divulgarem matérias sobre o segmento “para levar às pessoas o conhecimento sobre o que é cooperativa, para que a sociedade saiba o que ela traz de positivo, não só para os cooperados, mas para o público em geral, que está consumindo os produtos daquela cooperativa”, concluiu.

Por fim, houve a premiação do vencedor da categoria Radiojornalismo, Everson Teixeira, com a série de reportagens “Cooperativismo: um jeito certo de fazer negócio”, veiculada na Rádio Jornal, em 11 de dezembro de 2011, que, por estar viajando, foi representado no evento por Elton Ponce e Erick França, parceiros no processo de desenvolvimento da matéria. Eles receberam o prêmio das mãos de Anayra Maltez, membro do Conselho de Administração do Sescoop/PE. Everson Teixeira explicou, por e-mail, como foi feita a matéria: “A princípio pensamos em falar sobre cooperativas de reciclagem, que são as mais conhecidas. Mas, ao analisarmos as cooperativas que são filiadas à OCB/PE, verificamos que existem outras cooperativas de diversos Ramos de atividade. Então, pensamos em primeiro falar sobre a história do cooperativismo e ter como personagem uma cooperativa de sucesso no Estado. Foi então que chegamos na Cooperativa do Agronegócio dos Associados da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (COAF), a entidade faz parte da Associação dos Fornecedores de Cana que se aproxima dos 70 anos de existência, além de ser uma entidade bem tradicional no Estado. Fizemos três matérias, que contou um pouco da história do cooperativismo, a experiência da COAF e as vantagens de se filiar a uma cooperativa. O título da matéria surgiu no final, quando descobrimos que o cooperativismo é um jeito certo de fazer negócio”, afirmou. O jornalista ainda falou sobre a importância da divulgação do tema. “Gostaria que as pessoas soubessem mais sobre a forma de fazer negócio que as cooperativas desenvolvem. A definição da ONU, de colocar este ano como o ano das cooperativas, só faz reforçar a importância desse tipo de entidade na sociedade mundial. O bem em comum é o foco principal das cooperativas, e essa ideia deve ser mais divulgada pela imprensa”, frisou.

A entrega do Prêmio de Jornalismo Cooperativista integra a programação do Sistema OCB-Sescoop/PE pela celebração do Ano Internacional das Cooperativas.

Fonte: OCB-Sescoop/PE em 03/05/2012

Cooperativismo

Cooperativa sergipana fecha negócio com grandes supermercados

Cooperativa sergipana fecha negócio com grandes supermercadosIntegrantes da Cooperativa dos Produtores de Mandioca de Campo do Brito (COOFAMA) estão comemorando a nova fase de comercialização que irá iniciar. Eles assinaram três contratos de venda expressivos, que começam a vigorar a partir da segunda quinzena de maio, para fornecimento de farinha de mandioca e derivados aos grupos Extra (Pão de Açúcar), Makro e GBarbosa.

De acordo com o diretor de Negócios e Finanças da COOFAMA, Paulo Santos Conceição, este é um passo importante para o desenvolvimento do grupo e de seus integrantes. “Nossa cooperativa faz parte do projeto de mandiocultura desenvolvido pelo Sebrae, Fundação Banco do Brasil e demais parceiros na região de Campo do Brito. Os consultores do Sebrae tiveram um papel importante na negociação, facilitando e assessorando nossa cooperativa nos primeiros contatos com os representantes das empresas. Depois de assinar o contrato, o passo seguinte foi cadastrar a COOFAMA para se tornar fornecedora desses empreendimentos. Agora estamos trabalhando para realizar o primeiro fornecimento de produtos, o que deve acontecer em maio”, explica Paulo Conceição.

A COOFAMA, localizada no povoado Gameleira, a aproximadamente 85 KM de Aracaju, tem seis anos de existência e há dois anos vem trabalhando para conquistar novos mercados. O grupo já fornecia farinha e derivados da mandioca a pequenos mercadinhos e a diversos empreendedores que trabalham nas feiras livres de Aracaju e do interior.

“A cooperativa começou com 29 sócios e hoje já são 52 cooperados. Além da farinha, trabalhamos com mais 11 itens como biscoitos de goma, goma seca e molhada, macaxeira in natura e empacotada. O fornecimento dos produtos será mensal, mediante a necessidade dos supermercados, mas o pedido mínimo é de 1,2 mil quilos mês”, orienta Paulo Santos.

Qualidade

Para tornar-se fornecedora dessas três grandes redes de supermercados, a cooperativa trabalhou muito. O grupo modernizou suas casas de farinha, participou de diversas capacitações, tanto na área de gestão como na de boas práticas em relação ao manuseio dos alimentos. Também potencializou seus fornos com implementação da grelha, o que permitiu maior incidência de calor e economia na utilização da lenha.

Resíduo líquido da prensa da mandioca, tóxico e prejudicial ao solo, a manipueira passou a ser beneficiada e tornou-se adubo orgânico e alimento animal. Até os resíduos resulantes da descascagem da mandioca são aproveitados agora. “Diminuímos praticamente todos os desperdícios e passamos a utilizar os resíduos como mais uma alternativa de renda. O que não usamos, vendemos como adubo orgânico vegetal e animal", destaca o Diretor de Negócios e Finanças da COOFAMA.

Quem também está satisfeito com os bons resultados da cooperativa é Lauro Vasconcelos, superintendente do Sebrae no estado. “A COOFAMA já se tornou um caso de sucesso no Sistema Sebrae, sendo visitada por cooperativas de outros estados. Trata-se de uma comunidade trabalhadora, que aproveitou a oportunidade de participar do projeto de mandiocultura, assumiu compromissos e hoje começa a colher os frutos”, orienta Lauro.

Novos mercados

Apesar das novas conquistas, o grupo não deixa de trabalhar para que novos mercados sejam abertos. Recentemente a COOFAMA participou no Centro de Convenções de Sergipe de uma feira onde realizou bons contatos. “Foi a segunda vez que participamos do Supervendas, conseguimos três contatos bastante promissores para gerar negócios. Participar de um evento como esse é importante, pois permite ao pequeno empreendedor expor sua marca e produto, estar em contato com as grandes empresas”, finaliza Paulo Santos Conceição.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias em 03/05/2012

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Catadores têm papel central na reciclagem em São Paulo, dizem especialistas

Catadores têm papel central na reciclagem em São Paulo, dizem especialistasOs catadores de materiais recicláveis cumprem papel fundamental na reciclagem na cidade de São Paulo. Em cooperativas, eles operam centrais de triagem da prefeitura, onde os materiais são separados para reciclagem. O número total de cooperativas na cidade é desconhecido, mas há somente 20 conveniadas com a prefeitura. O convênio prevê que as cooperativas tenham a ajuda de caminhões para coletar o lixo, um espaço para exercer a atividade e os equipamentos necessários. Mas nem sempre esses benefícios são garantidos, e os catadores que nelas trabalham não recebem remuneração alguma da prefeitura, dependendo da venda dos materiais.

Nas cooperativas não conveniadas, não há nada disso, e a coleta é feita por carroceiros e pelos próprios catadores, que fazem a triagem. Muitos carroceiros vivem condições de subemprego, segundo o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que estima em 2 mil o número de pessoas atuando nesta atividade.

“Se há alguma reciclagem em São Paulo é por conta dos catadores”, disse a coordenadora executiva do Instituto Pólis, Elisabeth Grinberg. Somente 1% do lixo produzido na cidade é reciclado formalmente. Entretanto, sem os catadores, esse percentual seria menor. Na prática, a quantidade reciclada é maior, já que a quantificação é feita pelos materiais que chegam às centrais conveniadas à prefeitura. Ficam de fora do cálculo o que chega às outras centrais e o material coletado por carroceiros.

"Sem eles, em uma cidade onde a política de administração do lixo é ineficaz, não haveria quem separasse os materiais recicláveis e toneladas de lixo seriam destinadas a aterros sanitários", disse Elisabeth. Para ela, os catadores não têm reconhecimento pelo serviço prestado à cidade e o número de centrais conveniadas é absolutamente insuficiente para atender a toda a cidade.

Para a arquiteta e urbanista Nina Orlow, do Instituto Pólis, integrante do grupo de trabalho da implementação da Agenda 21 em São Paulo, os catadores deveriam ser remunerados pelo prefeitura já que prestam um serviço público. “Eles não deveriam viver simplesmente da possibilidade da venda de um produto, que às vezes tem mercado, às vezes não. É muito sazonal,” afirmou.

Nina comentou que o trabalho das cooperativas tem aspecto ambiental, econômico e social. Muitas abrigam ex-dependentes químicos e moradores de rua, garantindo-lhes certa remuneração. “A gente está muito atrasado e aviltando esses trabalhadores, que se esforçam tremendamente para ter um trabalho digno, para fazer a valorização do material reciclável.”

Guiomar Silva, catadora integrante da coordenação do MNCR, disse que a entidade luta pela remuneração dos catadores pelo poder público. “O que ganhamos não é suficiente para vivermos”, disse. Ela trabalha em coleta e triagem na cooperativa Sempre Verde – não conveniada à prefeitura –, localizada no Jabaquara, na zona sul, e está na atividade há 15 anos. Guiomar afirmou que é comum a prefeitura afirmar que não há espaço para abrigar as cooperativas em novas centrais de triagem.

O Programa Coleta Seletiva, em São Paulo, atende a 75 dos 96 distritos da cidade, segundo a prefeitura, que não respondeu à reportagem se há um plano de expansão da área compreendida pelo programa.

As duas empresas concessionárias de coleta de lixo na cidade – EcoUrbis, na zona sul e parte da zona leste, e Loga, nas zonas oeste, norte, centro e o restante da leste – levam os materiais provenientes da coleta seletiva para as centrais da triagem operadas pelas cooperativas conveniadas. A essas é concedido um galpão para funcionamento da central de triagem. O convênio determina que os catadores cooperados recebam equipamentos, como esteira, empilhadeira, luvas e roupas próprias para a atividade.

Entretanto, nem sempre o determinado pelo convênio é cumprido. A cooperativa Granja Julieta: Novos Valores, em atividade em um galpão no bairro de Socorro, na zona sul, conveniada desde 2003, ainda não tem os equipamentos devidos. No final de 2008, quando foi incendiada a central de triagem na qual esses cooperados trabalhavam, na Granja Juilieta, o convênio acabou, e um novo foi assinado em 2010. A cooperativa, contudo, ainda não tem espaço definido desde o incêndio. Em abril, foi transferida a um galpão considerado inadequado pelos cooperados. Insatisfeitos, eles reivindicam novo espaço. Tampouco têm todo o equipamento prometido. “Temos luvas , uma empilhadeira manual e calças, mas ainda não temos a esteira, essencial para a triagem, nem as jaquetas”, disse Mara Santos, presidente da cooperativa.

Processo lento

O convênio parece ser de interesse de muitas cooperativas. A CooperGlicério, Cooperativa dos Catadores da Baixada do Glicério Coleta, tenta, atualmente, se tornar parceira da prefeitura. Com 41 cooperados, ela processa por mês, entre 60 e 65 toneladas, segundo a vice-presidente, Maria Aparecida Dias. “É difícil conseguir o convênio, o processo está lento. Acho que eles vêm um problema no nosso espaço”, disse Maria.


A cooperativa paga valor anual à prefeitura pelo uso do espaço ocupado embaixo do Viaduto do Glicério. “Tudo isso fomos nós que construímos. É tudo nosso. Não temos apoio da prefeitura nem prestígio.” A CooperGlicério é um espaço amplo para triagem dos resíduos, onde há alguns cômodos construídos. Para a coleta, conta com carroceiros e três peruas Kombi próprias.

Os catadores que puxam carroças são figuras comuns na CooperGlicério. A própria Maria foi carroceira durante cinco anos. Ela deixou a carroça para usar uma das Kombis na coleta e para fazer a triagem para outros carroceiros. Seu Raimundo, catador co-fundador da cooperativa, faz triagem e puxa carroça, tendo uma jornada de 10 horas, em média. Raimundo não pensa em arranjar outro emprego. “Sem a carroça, não rende o suficiente. Até seria bom arranjar um emprego, mas eles pedem leitura, e eu não tenho”, disse. Com a carroça, chega a faturar três salários mínimos (pouco mais de R$ 1,8 mil) por mês.

Exclusão

As centrais de triagem não podem receber materiais de carroceiros. A arquiteta Nina Orlow discorda da política de exclusão da prefeitura em relação aos trabalhadores. Para ela, eles não estão incluídos por conta do baixo número de centrais. “Os trabalhadores que puxam carroça fazem uma enorme diferença na coleta seletiva da nossa cidade porque impedem que muitos resíduos sejam enviados ao aterro sanitário”, disse. Os carroceiros são marginalizados do sistema e da sociedade. Muitos carroceiros vivem condições de subemprego, e são comumente atropelados.

A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada por lei em 2010, aplica o princípio da responsabilidade compartilhada entre as três esferas de governo, cidadãos e iniciativa privada. Com isso, não só o governo, mas os produtores e os consumidores serão responsáveis pela destinação do lixo. Até 2014, os municípios terão de se adaptar à PNRS, mas em agosto deste ano, já terão de apresentar os planos de administração dos resíduos de acordo com os critérios da nova política. Só o que é rejeito deverá ir para os aterros, e espera-se que as cidades passem a reciclar 30% do seu lixo. A PNRS prevê que as cooperativas de catadores sejam as responsáveis pela triagem dos materiais.

Mas para que se alcance essa porcentagem, segundo Elisabeth Grinberg, o número de centrais de triagem terá de pular de 20 para pouco mais de 200. A assessoria da prefeitura afirmou que há um plano para criar mais centrais de triagem, mas não deu detalhes.

“Com essas poucas centrais, vai tudo para o aterro”, comentou Nina Orlow. Segundo ela, é preciso processar 3 mil toneladas por dia. Nina afirma que é preciso construir mais centrais de triagem e estruturar as existentes. É comum, segundo ela, destinar espaços pequenos, ao relento, para as cooperativas. “É um antiexemplo daquilo que o mundo inteiro está tentando implementar, que é fazer valer essa matéria prima tão importante proveniente dos resíduos.”

Fonte: Rede Brasil Atual / Foto: ©Folhapress/Arquivo RBA em 04/05/2012